A Agência da União Europeia sobre Drogas (EUDA) divulgou, nesta quinta-feira (05/06/2025), seu relatório anual com dados atualizados sobre o consumo e o mercado de entorpecentes em 29 países europeus. O documento aponta um aumento no uso de derivados sintéticos de cannabis, opioides e catinonas, com impacto direto nas estatísticas de mortalidade e nos sistemas de saúde e segurança pública.
Segundo o relatório, 7.500 mortes relacionadas ao uso de drogas foram registradas em 2023 na Europa, número superior aos 7.100 casos de 2022. Opioides associados a outras substâncias foram identificados como os principais responsáveis pelos óbitos. O estudo também destaca que o uso simultâneo de múltiplas drogas continua dificultando tratamentos e ampliando os riscos à saúde dos usuários.
“A proliferação de substâncias muito potentes e de modos de consumo mais complexos pesa sobre os sistemas de saúde e segurança”, afirmou Alexis Goosdeel, diretor executivo da EUDA, durante entrevista coletiva.
Magnus Brunner, comissário europeu para assuntos migratórios, reforçou a importância da cooperação internacional para combater o narcotráfico.
“O acesso a dados é essencial para dar às forças de segurança as ferramentas necessárias para combater os criminosos”, declarou. “A colaboração com países da América Latina é fundamental para enfrentar esse desafio.”
Desde 2009, 88 novos opioides sintéticos foram identificados no mercado europeu. Essas substâncias são descritas como muito potentes e de alto risco para intoxicação e morte. Além disso, o relatório alerta para a produção crescente de drogas como anfetaminas, MDMA e catinonas em território europeu, o que reduz a distância entre os pontos de fabricação e os consumidores e acelera a mudança nos padrões de uso.
Apreensões de drogas sintéticas também aumentaram significativamente. Em 2023, foram confiscadas 37 toneladas de catinonas, substâncias com efeitos estimulantes similares às anfetaminas, frente a 27 toneladas em 2022 e 4,5 toneladas em 2021. A maior parte veio da Índia e transitou principalmente pelos Países Baixos. No mesmo ano, 53 laboratórios clandestinos foram desmantelados, a maioria na Polônia.
A cocaína permanece como o estimulante mais consumido no continente, com 4,6 milhões de usuários entre 15 e 64 anos. Entretanto, a cannabis segue como a droga mais popular na Europa, com estimativa de 24 milhões de consumidores em 2024. A agência destaca o risco de adulteração da cannabis com canabinoides sintéticos de alta potência, muitas vezes sem o conhecimento dos usuários.
Em um caso ocorrido em junho de 2024, na Hungria, cerca de 30 pessoas foram hospitalizadas após consumirem balas de goma contendo canabinoides semissintéticos. O episódio ilustra os perigos associados à presença de substâncias artificiais em produtos aparentemente inofensivos.
A EUDA alerta que o mercado europeu de drogas está se adaptando rapidamente a fatores como globalização, instabilidade geopolítica e avanços tecnológicos. Como resposta, a agência anunciou medidas para aprimorar o monitoramento e a resposta institucional. Estão previstas a implementação de um sistema europeu de alerta rápido, um mecanismo de avaliação de ameaças à saúde e segurança, além de uma rede de laboratórios forenses e toxicológicos para melhorar o compartilhamento de informações entre os países.
*Com informações da RFI.
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