Na terça-feira (04/06/2025), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou oficialmente o novo pacote fiscal do governo Lula aos líderes do Congresso Nacional. O conjunto de propostas, que visa conter o déficit e atingir a meta de superávit primário de R$ 14 bilhões em 2025, inclui medidas para elevar receitas e reduzir despesas. A recepção política, embora cautelosa, indicou abertura para negociações, especialmente entre parlamentares da base aliada.
Principais medidas do pacote fiscal
O pacote entregue por Haddad contempla ações divididas em três eixos centrais:
1. Reoneração da folha de pagamento
O governo propõe revogar gradualmente a desoneração da folha de 17 setores da economia até 2027. A reoneração busca aumentar a arrecadação previdenciária, com impacto estimado em R$ 25 bilhões por ano quando plenamente implementada.
2. Compensação de créditos tributários
Nova regulamentação limitará o uso de créditos tributários de PIS/Cofins, afetando grandes empresas com alto volume de compensações. A medida deve gerar uma receita adicional de R$ 29,2 bilhões em 2025, segundo estimativas da Receita Federal.
3. Reversão de benefícios fiscais e reonerações setoriais
O pacote inclui propostas para reduzir renúncias fiscais em diversos setores e elevar impostos sobre produtos industrializados e combustíveis fósseis, em linha com compromissos ambientais do governo. Uma das metas é revogar isenções consideradas ineficientes ou desatualizadas.
Impacto nas contas públicas e cenário fiscal
O ministro Haddad reiterou que o conjunto de medidas visa cumprir a meta de superávit primário de R$ 14 bilhões em 2025, conforme estabelecido pela nova âncora fiscal. A previsão oficial contrasta com as projeções do mercado, que ainda trabalham com déficit primário próximo a 0,5% do PIB, conforme apurado no boletim Focus.
Segundo o Ministério da Fazenda, o novo arcabouço fiscal depende da aplicação simultânea de cortes de gastos e recomposição de receitas, e deve gerar estabilidade na dívida pública a partir de 2026.
Reações no Congresso Nacional
Líderes partidários manifestaram preocupação com os efeitos econômicos sobre setores estratégicos, sobretudo diante da proposta de reoneração da folha. A Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE) e a bancada da indústria articulam emendas para atenuar impactos sobre emprego e competitividade.
Apesar das resistências, seis medidas receberam apoio majoritário entre os parlamentares, incluindo:
-
Regulação do uso de créditos tributários;
-
Fim de isenções sobre combustíveis fósseis;
-
Revisão dos subsídios agrícolas;
-
Tributação de produtos nocivos à saúde;
-
Ampliação da cobrança sobre fundos exclusivos;
-
Fiscalização sobre incentivos fiscais estaduais.
Mercado adota postura cautelosa
O mercado financeiro reagiu com expectativa moderada, aguardando os desdobramentos das negociações no Congresso. Analistas consideram que, embora o pacote tenha potencial para melhorar o quadro fiscal, a execução política será o principal desafio. O cumprimento da meta depende da aprovação legislativa das medidas até o segundo semestre.
Projeções e próximos passos
O governo pretende iniciar a tramitação dos projetos de lei e medidas provisórias ainda em junho. Haddad afirmou que a sustentação política do pacote é estratégica para garantir a credibilidade do novo arcabouço fiscal. A equipe econômica espera concluir as votações até setembro.








Deixe um comentário