Israel bombardeou o Irã pela sexta noite seguida, intensificando uma ofensiva militar de grande escala contra instalações nucleares e estruturas militares iranianas. Os ataques ocorreram poucas horas após o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigir a “rendição incondicional” de Teerã.
Na madrugada de terça para quarta-feira (18/06/2025), o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, declarou, em sua conta na plataforma X, que haverá uma “resposta firme” contra o que chamou de “regime sionista terrorista”, prometendo retaliar “sem piedade”.
Ataques coordenados contra alvos estratégicos em Teerã
Segundo nota oficial do Exército de Israel, mais de 50 aeronaves realizaram bombardeios em uma instalação de produção de centrífugas na capital iraniana. O comunicado também informou a destruição de fábricas de armas e centros de produção de componentes para mísseis terra-terra.
Vídeos divulgados pela agência iraniana Mehr mostram explosões no céu de Teerã. Em resposta, o Irã anunciou ataques de retaliação e orientou a evacuação de civis nas cidades de Haifa e Tel Aviv.
Durante a madrugada, mísseis iranianos foram lançados contra Israel. O sistema de defesa aérea Iron Dome foi ativado, e a maioria dos projéteis foi interceptada. Dois drones também foram abatidos na região do Mar Morto. A Guarda Revolucionária do Irã confirmou o lançamento de mísseis balísticos hipersônicos Fattah-1, de médio alcance.
Trump ameaça Khamenei e pressiona por ação militar
Na terça-feira (17), Donald Trump, em publicação na rede Truth Social, afirmou que os EUA sabem a localização exata de Ali Khamenei e alegou controlar o espaço aéreo iraniano, mas que ainda não há planos para eliminá-lo. Em outro post, reiterou a exigência de “capitulação incondicional”.
O ex-presidente reuniu seu conselho de segurança nacional e ordenou o fechamento temporário da embaixada dos EUA em Jerusalém, além da criação de uma força-tarefa para assistência a cidadãos americanos no Oriente Médio. Um porta-aviões foi deslocado para a região como reforço ao aparato defensivo.
Objetivo israelense é neutralizar programa nuclear iraniano
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que o ataque visa impedir o avanço nuclear iraniano, afirmando que o Irã está próximo do “ponto sem retorno”. A operação, batizada de Leão em Ascensão, continuará “pelo tempo que for necessário”, segundo o governo israelense.
Especialistas apontam que Israel não tem capacidade técnica para destruir os depósitos nucleares mais profundos, como os das usinas de Natanz e Fordo, sendo necessária a cooperação militar dos EUA, especialmente com o uso da bomba antibunker GBU-57, capaz de penetrar instalações subterrâneas.
Apesar de nove cientistas iranianos terem sido mortos, analistas afirmam que o conhecimento acumulado pelo Irã sobre o enriquecimento de urânio permanece intacto.
Instalações nucleares danificadas, mas arsenal permanece oculto
Imagens de satélite e avaliações da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmam danos significativos à parte superficial do centro de Natanz. Já Fordo teria sofrido apenas danos limitados. A usina de conversão de Ispahan também foi atingida.
A AIEA não detectou vazamentos radioativos, mas advertiu sobre os riscos de ataques a estruturas como a central nuclear de Bushehr. O diretor-geral da agência, Rafael Grossi, reiterou que instalações nucleares “nunca devem ser atacadas”, por riscos à população e ao meio ambiente.
Impactos civis, instabilidade econômica e ciberataques
Desde o início dos bombardeios na sexta-feira (13), 224 pessoas morreram no Irã e 24 em Israel, de acordo com dados oficiais. Em Teerã, há desabastecimento e instabilidade, com longas filas em padarias e postos de gasolina. O banco Sepah foi paralisado por um ciberataque, e há interrupções generalizadas na internet.
Negociações suspensas e risco de militarização do programa nuclear
Especialistas apontam que os ataques israelenses ocorreram dias antes de uma nova rodada de negociações entre EUA e Irã sobre o programa nuclear, prevista para o domingo (15), em Omã. Pesquisadores avaliam que o objetivo de Israel foi sabotar as negociações diplomáticas.
A AIEA destaca que o Irã possui mais de 400 kg de urânio enriquecido a 60%, material que, se enriquecido a 90%, permitiria a produção de nove armas nucleares. Embora Teerã negue ambições militares, analistas consideram que os recentes ataques podem encurtar o caminho político para a militarização.
Israel desestabiliza cadeia de comando iraniana
Fontes do Exército israelense relatam que três dos cinco principais comandantes militares do Irã foram mortos desde o início da ofensiva. O general Ali Shadmani, considerado próximo de Khamenei, foi morto em um ataque aéreo em Teerã. Segundo o jornal Le Parisien, a operação contou com dois anos de planejamento do Mossad e envolveu infiltração em diversas esferas da sociedade iraniana.
Avaliação internacional: risco elevado e consequências imprevisíveis
O Le Figaro destaca que Israel iniciou uma ofensiva da qual “não pode sair derrotado”, mas que o Irã, mesmo encurralado, ainda representa uma ameaça considerável. Especialistas alertam para o risco de reconstrução acelerada das capacidades iranianas, com base em experiências adquiridas neste conflito.
*Com informações da RFI.
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