A Polícia Federal deflagrou na manhã desta segunda-feira (30/06/2025) a Operação Raízes de Papel, com foco na repressão a fraudes na concessão do auxílio maternidade rural em municípios do norte da Bahia. A ação resultou no cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão nas cidades de Juazeiro e Sobradinho, abrangendo inclusive escritórios de advocacia suspeitos de promoverem arrendamentos rurais fictícios para fundamentar pedidos judiciais fraudulentos.
A investigação teve como foco esquemas de falsificação documental e simulação de vínculos rurais, supostamente utilizados para viabilizar o acesso indevido ao benefício do auxílio maternidade rural, previsto na legislação previdenciária brasileira. Os investigados teriam utilizado contratos fraudulentos de arrendamento de glebas agrícolas como forma de comprovação de atividade rural perante a Justiça Federal.
Segundo a Polícia Federal, os documentos eram utilizados por advogados e intermediários em processos judiciais para obter decisões favoráveis à concessão dos benefícios, em prejuízo ao erário público.
Alvos e mandados judiciais
A ação contou com o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão, todos expedidos pela Justiça Federal, tendo como alvos escritórios de advocacia e domicílios vinculados aos investigados nas cidades de Juazeiro e Sobradinho, localizadas na região norte do estado da Bahia.
A Polícia Federal não informou se houve apreensão de valores em espécie ou prisão de suspeitos, tampouco detalhou o número de beneficiários indevidamente favorecidos pelo esquema.
Análise crítica da operação e impactos institucionais
A Operação Raízes de Papel evidencia a fragilidade dos mecanismos de fiscalização na concessão de benefícios previdenciários, especialmente os vinculados ao meio rural, cuja comprovação de vínculo laboral frequentemente se dá por meios autodeclaratórios ou contratos privados suscetíveis a manipulação.
A utilização de escritórios jurídicos como instrumentos de legitimação documental de fraudes reforça a necessidade de revisão nos critérios de validação de vínculos rurais e na integração dos sistemas da Previdência Social com os órgãos de fiscalização fundiária e de atividade agrícola.
Além disso, o caso expõe risco de captura institucional de segmentos do sistema de justiça, quando profissionais liberais atuam para validar documentos com potencial finalidade ilícita.
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