Na quinta-feira (05/06/2025), o PSDB aprovou, por maioria esmagadora, a proposta de fusão com o partido Podemos, em convenção nacional realizada em Brasília. A medida foi respaldada por 201 votos favoráveis, com apenas dois votos contrários e duas abstenções, sinalizando um movimento estratégico diante da crise interna enfrentada pela legenda tucana.
A iniciativa ocorre em um contexto de fragilidade institucional do PSDB, que tem sofrido com a redução de bancadas no Congresso Nacional, perda de lideranças estaduais e risco de não alcançar a cláusula de barreira nas eleições de 2026. Entre as baixas mais recentes, destacam-se as saídas dos governadores Eduardo Leite (RS) e Raquel Lyra (PE), ambos agora filiados ao PSD.
PSDB busca recomposição com estrutura e fundo partidário ampliados
Embora o termo “fusão” tenha sido empregado publicamente, lideranças tucanas indicam que se trata, na prática, de uma incorporação do Podemos ao PSDB. A formalização da nova sigla dependerá ainda da aprovação interna do Podemos, cuja direção não demonstrou resistência ao processo, e da homologação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A eventual fusão garantirá à nova legenda acesso a cerca de R$ 90 milhões do fundo partidário em 2025, além de reunir 28 deputados federais e sete senadores. No entanto, a aliança ainda conta com apenas um governador em seus quadros, Eduardo Riedel (MS), que também avalia deixar o partido.
Comando da nova legenda e nome oficial ainda não foram definidos
Segundo o presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, o processo será conduzido com “diálogo e cautela”, e ainda não há definição sobre quem assumirá a presidência da nova agremiação nem qual será seu nome oficial. A expectativa é de que as negociações avancem ao longo do segundo semestre de 2025, com definição até o prazo legal exigido para registro no TSE.
Internamente, tucanos também discutem a possibilidade de formar uma superfederação com siglas como MDB, Republicanos e Solidariedade, visando ampliar a base eleitoral e assegurar viabilidade política em 2026.
Crise tucana impulsiona reconfiguração partidária
A união com o Podemos é uma tentativa de reverter a debandada de filiados e garantir relevância institucional no cenário político nacional. O PSDB, fundado em 1988, teve protagonismo nas décadas de 1990 e 2000, mas vem perdendo influência desde 2018, com sucessivas derrotas eleitorais e a ascensão de forças da direita bolsonarista e do centro pragmático.
A possível fusão com o Podemos insere-se em um movimento mais amplo de reagrupamento do campo político de centro-direita, que busca alternativas diante do enfraquecimento das siglas tradicionais e da fragmentação partidária no Congresso Nacional.
Principais pontos da fusão PSDB–Podemos
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Data da aprovação: quinta-feira, 05/06/2025
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Votação na convenção do PSDB: 201 votos a favor, 2 contrários, 2 abstenções
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Fundos envolvidos: cerca de R$ 90 milhões em fundo partidário para 2025
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Composição da nova legenda: 28 deputados federais e 7 senadores
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Governadores no partido: apenas Eduardo Riedel (MS), que cogita saída
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Objetivo estratégico: superar a cláusula de barreira e ampliar base eleitoral
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Próximos passos: aprovação pelo Podemos e homologação do TSE










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