A entrada em vigor das tarifas aduaneiras de 15% sobre a maioria das exportações da União Europeia para os Estados Unidos, prevista para a sexta-feira (01/08/2025), gerou críticas à atuação da Comissão Europeia nas negociações com o governo norte-americano. Especialistas e representantes do setor industrial afirmam que o acordo comercial firmado sob liderança da presidente Ursula von der Leyen resultará em prejuízos econômicos e perda de empregos nos países europeus.
As novas tarifas fazem parte de um pacto firmado com o presidente Donald Trump, em que os europeus concordaram com diversas concessões. A indústria cosmética, automobilística e as pequenas e médias empresas estão entre os segmentos mais impactados. Segundo críticos, Alemanha, Itália e Irlanda serão os países mais afetados economicamente.
Indústrias europeias devem sofrer impactos diretos com as novas tarifas
A indústria de cosméticos da França, que destina 13% de sua produção ao mercado americano, será taxada em 15%, afetando cerca de 5 mil empregos. A Confederação de Pequenas e Médias Empresas (CPME) declarou que o acordo trará impactos “muito negativos” para a economia francesa.
As montadoras alemãs, por sua vez, conseguiram evitar uma sobretaxa de 30%, anteriormente ameaçada por Trump. No entanto, a nova alíquota de 15% ainda representa uma perda bilionária para o setor automotivo. Em contrapartida, a tarifa para veículos americanos foi reduzida de 10% para 2,5% pela União Europeia, favorecendo as fabricantes GM, Ford e Chrysler no mercado europeu.
Setores poupados e cláusulas energéticas ampliam repercussão
Setores como produtos farmacêuticos, aeronaves, equipamentos semicondutores e alguns produtos agrícolas e químicos permanecerão isentos de tarifas. Segundo a Eurostat, os produtos farmacêuticos representam 22,5% das exportações da UE para os EUA, totalizando cerca de € 120 bilhões em 2024.
No campo da energia, o acordo prevê que os países do bloco comprem US$ 750 bilhões em produtos energéticos dos EUA nos próximos três anos, com foco em gás natural liquefeito (GNL), petróleo e combustíveis nucleares. A medida visa reduzir a dependência da União Europeia do gás russo, que ainda representa 20% do fornecimento do bloco.
Reações políticas e implicações geopolíticas
Segundo o economista Christian Saint-Étienne, o pacto representa uma derrota estratégica para a Europa, com os EUA impondo seus termos e conseguindo concessões significativas. O jornal The Guardian descreveu o acordo como um momento de transição crítica para a economia europeia, já enfraquecida.
Críticos também apontam que a Comissão Europeia excedeu sua autoridade ao incluir compromissos energéticos e militares, o que pode gerar precedentes negativos em futuras negociações. A recente visita de Von der Leyen à China aumentou a tensão com o governo chinês, que agora observa um alinhamento europeu mais próximo dos EUA, o que pode dificultar futuras tratativas com Pequim.
*Com informações da RFI.










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