Acordo comercial entre os Estados Unidos e a União Europeia foi firmado no domingo (27/07/2025), após reunião entre o presidente Donald Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na cidade de Turnberry, na Escócia. O pacto define tarifas de 15% sobre parte das exportações europeias ao mercado norte-americano, substituindo a alíquota de 30% que seria aplicada a partir de quinta-feira (01/08/2025).
A decisão visa conter uma escalada tarifária entre os blocos, mas foi criticada por autoridades e economistas europeus, que consideram a medida uma concessão excessiva aos Estados Unidos. Entre os principais termos do acordo estão exceções tarifárias para os setores aeronáutico, químico e de matérias-primas estratégicas, além da manutenção de tarifas de 50% sobre exportações de aço e alumínio.
Líderes europeus reagem com críticas e ceticismo
O primeiro-ministro francês, François Bayrou, classificou o acordo como uma submissão europeia. O premiê húngaro Viktor Orban, aliado de Trump, ironizou a presidente da Comissão Europeia, sugerindo que Trump teria dominado completamente as negociações. O jornal Le Monde relatou que líderes europeus cederam diante da ameaça tarifária iminente, preferindo selar um acordo político a enfrentar uma guerra comercial.
Economistas avaliam impacto e criticam concessões feitas pela UE
Thierry Mayer, economista da Universidade Sciences Po, avaliou que a União Europeia poderia ter obtido um acordo mais favorável, lembrando que o Reino Unido havia garantido uma tarifa média de 10% para seus produtos. Ele afirmou que a UE aceitou um percentual superior mesmo com maior peso comercial, o que revela fragilidade na posição negociadora.
Eric Dor, diretor de estudos econômicos da IESEG, considerou o pacto “extremamente negativo” para os europeus, destacando que as tarifas sobre produtos da UE mais que triplicaram, passando de 4,8% para 15%. Ele alertou que setores estratégicos como o farmacêutico e o aeronáutico estão temporariamente isentos, mas seguem sujeitos a investigações comerciais que podem resultar em novas elevações tarifárias.
Dor também destacou o risco de transferência de fábricas europeias para os Estados Unidos, em resposta às barreiras comerciais, e apontou que a isenção de tarifas para produtos americanos na Europa torna o acordo desequilibrado. O economista ressaltou ainda que o pacto compromete a independência estratégica da União Europeia, que se comprometeu a comprar equipamentos militares dos EUA.
Declarações oficiais sinalizam preocupação, mas evitam ruptura
Entre os líderes europeus, o comissário de Comércio Maros Sefcovic defendeu o acordo com o argumento de que a estabilidade é preferível à imprevisibilidade. O premiê belga Bart de Wever também viu alívio na medida, embora tenha evitado celebrar a decisão. Já o chanceler alemão Friedrich Merz destacou como positivo o recuo das tarifas no setor automotivo — de 27,5% para 15%.
Em contrapartida, o ministro francês para Assuntos Europeus, Benjamin Haddad, criticou o tratado como desequilibrado e acusou os EUA de praticarem coerção econômica fora dos parâmetros da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Investimentos e compromissos energéticos integram o pacote negociado
Durante o encontro, Trump anunciou que a UE irá investir US$ 600 bilhões em setores produtivos dos EUA e US$ 750 bilhões em energia, com foco na importação de gás natural norte-americano. Esses compromissos complementam o pacote negociado, embora ainda dependam da validação dos Estados-membros da União Europeia.
O acordo ocorre em meio a um cenário de tarifas mais amplas, que incluem a manutenção das taxas de 50% sobre produtos do Brasil, previstas para entrar em vigor também na quinta-feira (01/08/2025). Segundo o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, não haverá adiamentos ou prorrogações.
Trump busca reforçar imagem pública em meio a queda de aprovação
A popularidade de Trump tem oscilado nas últimas semanas. Uma pesquisa Gallup mostrou que sua aprovação caiu para 37%. Ainda assim, o ex-presidente norte-americano tem usado acordos comerciais como ferramenta de campanha, apresentando o pacto com a União Europeia como uma vitória estratégica, após negociações com Reino Unido, Vietnã, Japão, Filipinas e Indonésia.
Próxima rodada de negociações será com a China
Enquanto isso, os Estados Unidos se preparam para uma terceira rodada de negociações comerciais com a China, que ocorrerá na segunda-feira (28/07/2025), em Estocolmo. O objetivo é prorrogar a trégua tarifária entre os países e evitar novas sanções, especialmente em áreas sensíveis como o comércio de fentanil.
As negociações de Estocolmo serão lideradas pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e pelo vice-premiê chinês, He Lifeng. Fontes citadas pelo South China Morning Post afirmam que os dois países buscam evitar uma nova escalada na guerra comercial, prorrogando a trégua por três meses.
*Com informações da RFI.









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