A presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Denise Pires de Carvalho, recomendou que pesquisadores brasileiros com bolsas aprovadas para os Estados Unidos considerem outras opções de destino, diante das incertezas quanto à concessão de vistos de entrada no país norte-americano.
“O que eu estou dizendo para as pessoas que me procuram, que têm bolsa aprovada, é: procurem outro país, porque é possível trocar de país antes de ir”, afirmou Denise após participação no Fórum de Academias de Ciências do BRICS, realizado no Rio de Janeiro nesta semana.
Segundo ela, até o momento nenhum bolsista da Capes teve o visto negado, mas a expectativa é que essa situação se defina nos próximos meses, com o maior volume de embarques previsto para setembro de 2025.
Desde o governo de Donald Trump, os Estados Unidos têm adotado medidas mais rígidas para emissão de vistos de estudo, incluindo a exigência de acesso às redes sociais dos candidatos e restrições impostas a universidades como a proibição temporária de matrícula de estrangeiros em Harvard.
Diante desse cenário, a presidente da Capes reforçou a importância da diversificação de destinos para os programas de intercâmbio acadêmico. Em 2024, o Brasil participou de mais de 700 projetos de cooperação científica com 61 países, o que resultou na mobilidade de aproximadamente 9 mil pesquisadores brasileiros para o exterior e na vinda de cerca de 1,2 mil estrangeiros ao Brasil.
Desigualdade regional na pós-graduação
Durante sua participação no evento, Denise também apresentou dados sobre a distribuição regional dos programas de pós-graduação no Brasil. Em 20 anos, o número de cursos de mestrado e doutorado mais do que dobrou, passando de cerca de 3 mil em 2004 para mais de 7 mil em 2023. No entanto, persistem desigualdades entre as regiões.
Dos 4.859 programas de pós-graduação atualmente em funcionamento, 1.987 estão localizados na Região Sudeste, 991 no Sul, 975 no Nordeste, 407 no Centro-Oeste e apenas 289 na Região Norte. Para Denise, a superação dessas desigualdades é essencial para o desenvolvimento econômico do país.
“O Brasil só vai conseguir ser um país de alta renda como um todo se ampliar o número de pessoas com educação superior aptas ao mestrado e doutorado. Há relação direta entre desenvolvimento econômico e investimento em ciência e tecnologia”, afirmou.
Medidas para redução de assimetrias
A Capes tem adotado medidas para reduzir essas desigualdades, como a ampliação das bolsas de pós-doutorado para programas de nota 5 situados na Região Norte e em cidades com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Antes, apenas programas com nota 6 ou 7 eram elegíveis para esse tipo de bolsa.
“Os cursos de nota 5 já são consolidados e considerados excelentes, e agora poderão receber mais um pesquisador, com o objetivo de fortalecer os programas e incentivar a fixação de profissionais altamente qualificados nessas regiões”, explicou a presidente da Capes.
*Com informações da Agência Brasil.
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