A China classificou nesta terça-feira (15/07/2025) como “coerção que não leva a lugar nenhum” a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas secundárias a países que mantêm relações comerciais com a Rússia, caso a guerra na Ucrânia não seja encerrada nos próximos 50 dias. A resposta chinesa veio após declarações feitas por Trump na segunda-feira (14/07/2025), durante reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, na Casa Branca.
Na ocasião, o presidente norte-americano anunciou a intenção de aplicar tarifas de até 100% sobre exportações russas, além do envio de armamentos à Ucrânia por meio da aliança militar. Trump afirmou que os aliados comerciais de Moscou também seriam afetados economicamente, com o objetivo de intensificar o cerco financeiro à Rússia.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da China, tais medidas unilaterais não contribuem para a resolução do conflito. O porta-voz Lin Jian reiterou que “pressões não resolvem problemas” e defendeu uma solução política para a crise ucraniana.
Xi Jinping reforça apoio diplomático à Rússia
Também nesta terça-feira, o presidente chinês Xi Jinping se reuniu com o chanceler russo Sergey Lavrov, à margem do encontro ministerial da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), em Pequim. Xi afirmou que China e Rússia devem reforçar seu apoio mútuo e implementar o consenso firmado com o presidente russo Vladimir Putin.
A agência oficial Xinhua relatou que Xi defende a colaboração entre os países do Sul Global como forma de reconfigurar a ordem internacional. O governo russo informou que está em preparação uma visita de Putin à China para participar da próxima cúpula da OCX.
A OCX reúne 10 países, incluindo China, Rússia, Irã, Índia e Paquistão, com foco em cooperação política, econômica e de segurança, atuando como contraponto às instituições ocidentais.
Rússia mantém ofensiva na Ucrânia
Desde o início da guerra em fevereiro de 2022, a ofensiva russa na Ucrânia tem se intensificado. Nas últimas semanas, houve aumento no número de ataques com drones lançados pela indústria de defesa russa, que opera em plena capacidade. Trump declarou que sua tentativa de contato com Putin após assumir o segundo mandato em janeiro de 2025 não teve êxito.
O líder norte-americano acusou Putin de resistência ao diálogo e anunciou o envio iminente de sistemas de defesa aérea, incluindo mísseis Patriot, por meio da Otan. Segundo Trump, os equipamentos serão fabricados pelos EUA e comprados pela Otan, que fará a distribuição direta à Ucrânia.
Durante a reunião, Mark Rutte, chefe da Otan, confirmou que a Ucrânia receberá “quantidades substanciais” de armamentos, incluindo munições e mísseis para defesa aérea.
Reações diplomáticas
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que a União Europeia pressiona os EUA a adotar sanções mais rígidas, mas que os países que promovem a guerra de sanções também sofrerão consequências. Lavrov disse que a Rússia está resiliente às sanções ocidentais e criticou a suspensão de negociações por parte da Ucrânia, sinalizando que um novo ciclo de diálogo poderia ser iniciado com disposição política.
Lavrov enfatizou que os EUA conhecem bem a posição russa e que o formato das negociações de Istambul ainda pode ser retomado, caso haja vontade por parte de Kiev.
China mantém postura oficial de neutralidade
Embora a China se declare neutra no conflito entre Rússia e Ucrânia, nunca condenou publicamente a invasão nem exigiu a retirada das tropas russas. O país também não reconhece as sanções ocidentais e tem mantido relações comerciais e diplomáticas com Moscou. Segundo dados do Serviço Federal de Alfândegas da Rússia, a China foi responsável por quase 34% do comércio exterior russo em 2024.
Aliados ocidentais acusam Pequim de fornecer apoio indireto à Rússia, enquanto o governo chinês sustenta que os países ocidentais prolongam a guerra com o fornecimento de armamentos à Ucrânia.
*Com informações da RFI e Sputnik News.
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