O Congresso Mundial de Cirurgia Robótica, encerrado no domingo (20/07/2025) em Estrasburgo, França, apresentou avanços significativos na disseminação da cirurgia robótica, com potencial para ampliar o acesso à tecnologia. O ginecologista paulista Giuliano Borrelli, especialista em cirurgia minimamente invasiva, participou do evento e detalhou as inovações discutidas, especialmente relacionadas ao tratamento da endometriose. Entre os principais pontos destacados estão a redução de custos provocada pelo aumento da concorrência global e a integração da inteligência artificial para ampliar a segurança e o treinamento cirúrgico.
Democratização da cirurgia robótica e redução de custos
Borrelli ressaltou que o principal desafio para o acesso à cirurgia robótica tem sido o custo elevado dos equipamentos e procedimentos. Durante quase duas décadas, uma única empresa americana detinha a patente das ferramentas robóticas, limitando a concorrência e mantendo os preços altos. Com a quebra dessa patente, ocorrida há dois anos, surgiram entre oito e dez concorrentes globais, provenientes de países como China, Japão, Reino Unido e Coreia do Sul. A competição gerada por essa multiplicidade de fabricantes tende a reduzir custos e ampliar a oferta da tecnologia no mercado mundial.
Aplicações no tratamento da endometriose
A endometriose, doença que afeta principalmente mulheres em idade reprodutiva, caracteriza-se pela presença de tecido endometrial fora do útero, causando dores crônicas e potencial comprometimento da fertilidade. Aproximadamente 50% das pacientes apresentam impacto na capacidade reprodutiva. Borrelli explicou que a cirurgia robótica proporciona maior precisão na remoção das lesões, preservando órgãos e tecidos vitais para a fertilidade.
O diferencial da tecnologia está na visão tridimensional oferecida ao cirurgião e na precisão dos movimentos dos braços robóticos, que superam a capacidade manual humana. Esses aspectos resultam em menor sangramento, recuperação mais rápida e retorno antecipado às atividades diárias.
Inteligência artificial e treinamento cirúrgico
Durante o congresso, Borrelli utilizou um simulador equipado com a quinta geração do software da principal plataforma robótica, que integra inteligência artificial (IA) e machine learning. Essas ferramentas permitem a análise em tempo real dos procedimentos, oferecendo feedback ao cirurgião para evitar danos a estruturas sensíveis, especialmente para profissionais em fase de aprendizado.
A IA também deve acelerar a curva de aprendizado, elevando o padrão de segurança nas cirurgias e ampliando o número de especialistas aptos a realizar procedimentos complexos.
*Com informações da RFI.








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