CNI organiza missão aos Estados Unidos para sensibilizar empresas sobre tarifaço

Confederação busca aproximar companhias brasileiras e americanas diante da possível tarifa de 50% sobre produtos nacionais.
Confederação busca aproximar companhias brasileiras e americanas diante da possível tarifa de 50% sobre produtos nacionais.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) organiza uma missão empresarial aos Estados Unidos para aproximar empresas brasileiras e americanas diante da expectativa de entrada em vigor da tarifa de 50% sobre produtos nacionais na sexta-feira (01/08/2025). Segundo o presidente da entidade, Ricardo Alban, o objetivo é sensibilizar empresas e criar pontes de diálogo sem realizar lobby direto junto aos governos.

Alban explicou, na terça-feira (29/07/2025), que a iniciativa busca estimular a compreensão mútua sobre os impactos do tarifaço, permitindo que as companhias dos dois países repassem suas preocupações aos respectivos governos.

“Nosso papel é ser um facilitador. Queremos que haja sensibilização entre empresas e autoridades para que o bom senso prevaleça”, afirmou o dirigente.

Missão empresarial e impactos setoriais

A comitiva da CNI deve se reunir com empresas brasileiras que atuam nos EUA e com companhias americanas com relações comerciais com o Brasil, promovendo uma interlocução indireta entre os setores produtivos. O mercado norte-americano, embora não seja o principal destino das exportações brasileiras, é estratégico para pequenas e médias indústrias, mais vulneráveis a barreiras tarifárias abruptas.

Durante reunião da diretoria da CNI, em Brasília, a entidade apresentou projeções dos efeitos do tarifaço, que incluem:

  • Perda estimada de 110 mil empregos no Brasil;

  • Queda de 0,16% no PIB nacional;

  • Redução de 0,12% na economia global;

  • Recuo de 2,1% no comércio mundial, equivalente a US$ 483 bilhões.

Levantamento da confederação com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) aponta que o impacto financeiro aos estados brasileiros pode superar R$ 19 bilhões. Em 2024, os Estados Unidos representaram 44,9% das exportações do Ceará, 28,6% do Espírito Santo e 21,6% da Paraíba, com setores como aço, pescado e calçados entre os mais afetados.

O presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante, alertou que apenas no Ceará até 8 mil empregos podem ser perdidos.

“Mais de 90% dos peixes vermelhos do estado vão para os EUA. Essa cadeia representa mais de 40 mil pessoas”, destacou após reunião com o ministro Geraldo Alckmin e o governador Elmano de Freitas.

Relações econômicas e investimentos bilaterais

A CNI lembra que 2,9 mil empresas brasileiras possuem investimentos nos EUA, incluindo JBS, Embraer, CSN, Omega Energia e Bauducco. Entre 2020 e 2025, 70 novos projetos foram anunciados, somando US$ 3,3 bilhões. O estoque de investimentos brasileiros no país atingiu US$ 22,1 bilhões em 2024, enquanto os investimentos americanos no Brasil somaram US$ 357,8 bilhões, com 3,6 mil empresas dos EUA atuando em território nacional.

No campo diplomático, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou que os EUA não fecharam a porta para novas conversas. O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, deve retomar o diálogo após viagem à Europa. Para a CNI, a solução depende do diálogo bilateral, sem medidas de confronto.


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