Conflito entre Tailândia e Camboja se intensifica antes de negociações mediadas na Malásia

Tensão nas fronteiras cresce com trocas de artilharia e aumento de deslocamentos, enquanto EUA e ASEAN tentam intermediar cessar-fogo.
Tensão nas fronteiras cresce com trocas de artilharia e aumento de deslocamentos, enquanto EUA e ASEAN tentam intermediar cessar-fogo.

As hostilidades entre Tailândia e Camboja chegaram ao quarto dia neste domingo (27/07/2025), com confrontos armados intensificados nas regiões de fronteira. Desde quinta-feira (24/07/2025), ao menos 34 pessoas morreram e aproximadamente 200 mil foram deslocadas, segundo autoridades locais. O confronto é o mais grave entre os dois países desde 2011, e ocorre às vésperas de uma rodada de negociações diplomáticas que será realizada nesta segunda-feira (28/07/2025), na Malásia.

Negociações devem ocorrer na Malásia com mediação da ASEAN

O governo tailandês confirmou que o primeiro-ministro interino, Phumtham Wechayachai, viajará à Malásia para discutir o conflito com o primeiro-ministro cambojano Hun Manet. As conversas foram motivadas por contatos telefônicos separados entre os dois líderes e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ocorridos no sábado (26/07/2025). Ambos sinalizaram abertura a um cessar-fogo, embora ainda troquem acusações sobre a origem e escalada da violência.

O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, ofereceu mediação e apoio às negociações. O país atualmente preside a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), da qual Tailândia e Camboja são membros.

Disputa territorial motiva novo episódio de violência

O atual conflito está vinculado à antiga disputa sobre a demarcação da fronteira comum, herdada do período colonial da Indochina Francesa. A área de maior tensão é a região de templos religiosos disputados, onde os primeiros confrontos começaram na quinta-feira (24/07/2025). No domingo, ambos os lados relataram trocas de tiros de artilharia a partir das 4h30 da manhã, com ações militares próximas ao templo de Preah Vihear.

O Ministério da Defesa do Camboja acusou a Tailândia de cometer “atos de agressão deliberados e coordenados”, enquanto o Ministério das Relações Exteriores da Tailândia denunciou “fogo de artilharia pesado” do lado cambojano contra áreas civis na província de Surin.

Declarações e acusações aumentam tensão diplomática

A diplomacia tailandesa declarou que “qualquer fim das hostilidades é impossível enquanto o Camboja demonstrar flagrante falta de boa-fé e continuar a violar princípios do direito internacional humanitário”. O exército tailandês também afirmou que as forças cambojanas utilizam armas de longo alcance nos ataques.

Do lado cambojano, a porta-voz do Ministério da Defesa, Maly Socheata, afirmou que os tailandeses estão usando “falsos pretextos” para justificar uma invasão ilegal, acusando o país vizinho de desrespeitar tratados internacionais.

Trump condiciona negociações comerciais ao cessar-fogo

Após conversar com os dois líderes, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a Tailândia e o Camboja estão prontos para negociações visando a um cessar-fogo. Trump, no entanto, afirmou que não haverá avanço em discussões comerciais com os dois países enquanto os confrontos armados persistirem. Um aumento nas tarifas alfandegárias aplicadas a ambos os países está previsto para entrar em vigor em 1º de agosto.

Conflito atinge múltiplas regiões e agrava crise humanitária

Os combates se espalharam por diferentes frentes, alcançando áreas a centenas de quilômetros de distância. Entre os locais afetados estão a província de Trat, na Tailândia, e a região conhecida como Triângulo Esmeralda, próxima à tríplice fronteira com o Laos.

De acordo com dados oficiais, os confrontos resultaram na morte de 21 cidadãos tailandeses, incluindo oito soldados, e de 13 cambojanos, sendo cinco militares. O governo da Tailândia afirmou que mais de 138 mil pessoas foram evacuadas de zonas de risco. No Camboja, as autoridades informaram que cerca de 80 mil cidadãos também foram deslocados.

O último conflito de grande escala entre os dois países havia ocorrido entre 2008 e 2011, também em torno da disputa pelo templo Preah Vihear. Naquele período, ao menos 28 pessoas morreram e dezenas de milhares foram forçadas a deixar suas casas.

*Com informações da RFI.


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