O empresário Nelson Tanure intensificou os movimentos para aquisição da participação da Novonor (antiga Odebrecht) na Braskem, com uma proposta que inclui entregar a gestão da companhia à Petrobras e, paralelamente, reestruturar a dívida da petroquímica, que atravessa uma crise de baixa no setor. A iniciativa encontra respaldo da Petrobras, segunda maior acionista da Braskem, que recentemente se apresentou ao Cade como parte interessada no processo.
Petrobras sinaliza interesse na gestão da Braskem
O novo arranjo proposto por Tanure prevê que a Petrobras assuma a gestão da Braskem, enquanto ele, por meio do Petroquímica Verde Fundo de Investimento em Participações, se comprometeria com a reestruturação de dívidas da ordem de R$ 19 bilhões. A negociação é considerada relevante para o futuro da companhia, que enfrenta dificuldades operacionais devido ao ciclo de baixa no mercado de resinas e produtos petroquímicos.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, já demonstrou receptividade à proposta, o que levou a estatal a se posicionar formalmente junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) como parte interessada em eventual mudança societária.
Negociações com bancos e obstáculos jurídicos
Apesar do avanço institucional, as negociações com os bancos credores da Novonor, que têm ações da Braskem como garantia, seguem em ritmo lento. A Rothschild, assessoria contratada por Tanure, conduz os diálogos visando repactuar os créditos vinculados à companhia.
Um dos principais entraves é a responsabilidade civil da Braskem pelo colapso geológico em Maceió (AL), decorrente da exploração de sal-gema. A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL) ingressou com nova ação civil pública bilionária, agravando o passivo jurídico da empresa e impactando diretamente a precificação da negociação.
Pressão política por desmobilização de unidade em Maceió
O caso voltou ao debate público com manifestação do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que cobrou a remoção da fábrica de cloro soda instalada no bairro do Pontal da Barra, em Maceió. A unidade, considerada deficitária, simboliza os danos provocados pela atividade da empresa no local.
Renan reiterou que a eventual venda da participação da Novonor a Tanure pode viabilizar a reparação financeira ao Estado de Alagoas, reforçando o papel do fundo Petroquímica Verde como agente viável para conduzir um novo ciclo de responsabilidade corporativa.
Cenário político e projeção de governança
A sinalização política é considerada positiva, de acordo com fontes do setor, pois amplia a confiança em uma reestruturação financeira e operacional da Braskem. No entanto, há consenso de que as questões judiciais e ambientais ainda representam obstáculo relevante à consolidação do acordo.
Petrobras, Novonor, Braskem e Nelson Tanure não se manifestaram oficialmente até o momento da publicação.
*Com informações do Estadão.
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