O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, visitou nesta sexta-feira (11/07/2025) as áreas mais atingidas pelas enchentes no centro do Texas, que já deixaram pelo menos 120 mortos e mais de 170 pessoas desaparecidas. Acompanhado da primeira-dama, Melania Trump, o chefe do Executivo norte-americano esteve na região de Hill Country, onde o rio Guadalupe subiu quase nove metros durante o feriado de 4 de julho.
As chuvas intensas causaram inundações repentinas, com forte impacto nas cidades da região. Em Kerr County, uma das localidades mais afetadas, foram confirmadas 96 mortes, entre elas 36 crianças. A tragédia é considerada a pior desde a enchente histórica de 1987.
Sistema de alerta e resposta do governo são questionados
Durante entrevista concedida à rede NBC, Donald Trump declarou que o sistema de alerta contra enchentes precisa ser reforçado, mas elogiou o trabalho das autoridades locais. A fala ocorre em meio a crescentes críticas à resposta federal, especialmente em relação aos cortes orçamentários na prevenção de desastres realizados durante seu governo.
Trump tem sido alvo de questionamentos por propor a extinção da FEMA (Agência Federal de Gestão de Emergências) e por congelar bilhões de dólares destinados à infraestrutura de prevenção. Segundo autoridades locais, o estado do Texas possui atualmente mais de 54 bilhões de dólares em projetos de prevenção à espera de financiamento federal.
Relatórios divulgados pela imprensa local apontam falhas no envio de alertas de emergência aos moradores. Às 4h22 do dia 4 de julho, um bombeiro solicitou o envio de um “Código Vermelho” para a população de Hunt, comunidade duramente atingida pela cheia do rio. O pedido, porém, foi adiado por falta de autorização do comando, e os alertas só foram enviados cerca de 90 minutos depois, segundo a emissora KSAT.
Moradores relataram que as mensagens de alerta demoraram até seis horas para chegar aos celulares. Autoridades locais não comentaram oficialmente o episódio, apesar das insistentes perguntas da imprensa.
Operação de resgate segue em andamento
As buscas por desaparecidos entraram no sétimo dia nesta sexta-feira. Mais de 2.000 socorristas, entre bombeiros, policiais, militares e voluntários com cães farejadores, estão atuando na região. A operação conta ainda com apoio de helicópteros.
De acordo com autoridades de emergência, as chances de encontrar sobreviventes são mínimas. O último resgate com vida ocorreu ainda no dia 4 de julho, data da enchente.
Debate sobre cortes no Serviço Nacional de Meteorologia
A Casa Branca também enfrentou críticas relacionadas à atuação do Serviço Nacional de Meteorologia (NWS). Organizações afirmam que os cortes de orçamento aplicados pela administração Trump comprometeram a precisão e o tempo das previsões meteorológicas. Em resposta, a porta-voz Karoline Leavitt declarou que o NWS “emitiu previsões e alertas oportunos e precisos”.
Ainda assim, relatos locais indicam que a burocracia e a falta de agilidade na resposta contribuíram para o alto número de vítimas. O episódio reacende o debate sobre políticas públicas de prevenção a desastres naturais e o papel do governo federal diante de eventos extremos.
*Com informações da RFI.








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