Governo dos EUA impõe tarifa de 50% e ameaça exportações do agro brasileiro: carne, café e suco de laranja sob risco; governo Lula reage com diplomacia

Na sexta-feira (11/07/2025), a cadeia do agronegócio brasileiro foi surpreendida com o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que será imposta uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, com entrada em vigor prevista para 1º de agosto. A medida afetará diretamente setores como carne bovina, café, suco de laranja, açúcar e papel e celulose.

A decisão, considerada unilateral e de motivação política, provocou imediata reação por parte das entidades representativas do agro e mobilizou o governo brasileiro a atuar por meio de canais diplomáticos. Os Estados Unidos são responsáveis por 7% de todo o volume exportado pelo Brasil, sendo um parceiro comercial relevante para diversos segmentos.

Abiec aponta paralisação e incertezas no setor de carne bovina

A Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Bovina (Abiec) comunicou que os frigoríficos brasileiros interromperam temporariamente a produção destinada ao mercado norte-americano. O presidente da entidade, Roberto Perosa, declarou à imprensa internacional que o setor está buscando redirecionar a produção para países da Ásia e do Oriente Médio, enquanto aguarda os desdobramentos da nova política tarifária americana.

“É muita imprevisibilidade. Os limites da atuação política não podem causar prejuízos à população do nosso país”, afirmou Perosa, sem citar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas atribuindo o agravamento da crise a pressões políticas internas.

Dados da Abiec indicam que foram exportadas 190 mil toneladas de carne bovina para os EUA entre janeiro e junho de 2025, com projeções de alcançar o dobro das 220 mil toneladas exportadas em 2024. A sobretaxa, contudo, torna inviável essa expansão, especialmente para cortes bovinos de dianteira, usados nos EUA para a produção de hambúrgueres.

Governo brasileiro aposta em diplomacia e evita retaliação imediata

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio do secretário Luís Rua, afirmou que o Brasil adotará uma postura cautelosa e estratégica, buscando evitar retaliações precipitadas. A diretriz é apostar na negociação de prazos e percentuais reduzidos, mantendo os canais abertos com a administração norte-americana.

“Vamos esperar a poeira baixar. Se não houver consenso, o Brasil é soberano e não aceitará imposições unilaterais”, declarou Rua.

Desde o início do atual governo, o Mapa afirma já ter aberto 393 novos mercados internacionais, o que reforça a estratégia de diversificação comercial diante de riscos externos crescentes.

Café brasileiro pode ser impactado em mercado estratégico

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) manifestou preocupação com o impacto da tarifa sobre o setor. O Brasil responde pela maior parte do café consumido nos EUA, com 8,1 milhões de sacas exportadas em 2024, de um total de 24 milhões consumidas no país.

Segundo o diretor do Cecafé, Marcos Matos, o cenário é de tensão, mas também de confiança no governo brasileiro e nas negociações técnicas.

“O Brasil é o maior fornecedor para o maior consumidor de café do planeta. Há interdependência comercial”, afirmou Matos.

Além de ser um insumo essencial para a indústria de bebidas dos EUA, cada dólar de café verde importado movimenta 43 dólares na economia americana, segundo estudo da National Coffee Association.

CitrusBR denuncia inviabilidade econômica nas exportações de suco

A associação CitrusBR, que representa os exportadores de suco de laranja, afirmou que, com a nova tarifa, 72% do valor do produto passará a ser recolhido em tributos, inviabilizando economicamente a operação. Na safra 2024/2025, 41,7% das exportações do setor foram direcionadas aos EUA.

Em nota oficial, a entidade alertou para possíveis paralisações nas colheitas e nas fábricas, ressaltando que o mercado europeu — ainda que relevante — não absorverá o excedente previsto.

“É uma condição insustentável. O Brasil deve exercer plenamente sua tradição diplomática na defesa do emprego e da renda”, declarou a associação.

Impacto imediato já afeta embarques e contratos

Empresas americanas já cancelaram pedidos de pescados, produto em que os EUA representam 80% das exportações brasileiras. A incerteza recai também sobre as cargas já embarcadas que possivelmente chegarão após o início da vigência da tarifa.

O governo federal articula com entidades do setor ações emergenciais para reestruturar os canais comerciais, ampliar exportações a outros países e reduzir os danos à balança comercial e ao emprego no campo.

Setor do agro pede solução democrática e condena motivação política

A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) divulgou nota defendendo uma resolução pacífica e condenando a interferência política nas relações comerciais.

“Trata-se de uma questão que impacta tanto o exportador brasileiro quanto o consumidor americano. O diálogo entre os países é imprescindível”, afirmou a Abag.

Desafio imediato

O anúncio da sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos, a partir de 1º de agosto de 2025, representa um desafio imediato à política externa brasileira e ameaça setores fundamentais do agronegócio. O governo federal e as entidades do setor buscam soluções diplomáticas e estratégicas, enquanto se intensificam os riscos de perdas comerciais, desemprego e instabilidade nas exportações agrícolas.


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