Mais de 14 milhões de crianças permaneceram sem receber nenhuma dose de vacina em 2024, segundo dados divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Os números revelam uma estagnação no progresso da imunização global e colocam em risco as metas da Agenda de Imunização 2030.
De acordo com o levantamento, 115 milhões de crianças receberam ao menos uma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP) no último ano, enquanto 109 milhões completaram as três doses recomendadas. No entanto, cerca de 20 milhões não completaram o esquema vacinal, sendo 14,3 milhões completamente não vacinadas.
O número está acima da meta esperada para manter o ritmo necessário em direção às metas de imunização definidas para 2030, e supera em 1,4 milhão o total de crianças não vacinadas registrado em 2019, ano base do plano.
Principais obstáculos à cobertura vacinal
Entre os fatores que explicam a defasagem estão os conflitos armados, instabilidade política, limitações no acesso a postos de saúde e quebras no fornecimento de vacinas. Atualmente, 25% das crianças do mundo vivem em 26 países afetados por crises humanitárias ou conflitos armados, sendo responsáveis por 50% do total de crianças não vacinadas.
Nos 13 países com maior aumento de não vacinados desde 2019, o número subiu de 3,6 milhões para 5,4 milhões, evidenciando a necessidade de que respostas humanitárias incluam a imunização como prioridade essencial.
Dados por região e renda
A cobertura vacinal apresentou melhora em 57 países de baixa renda apoiados pela Gavi, a Aliança para Vacinas, com redução de 600 mil crianças não vacinadas ou parcialmente vacinadas em 2024. Por outro lado, países de renda média-alta e alta, antes com níveis estáveis acima de 90%, começaram a apresentar quedas sutis, porém preocupantes.
Entre os 195 países analisados, 131 mantiveram cobertura de pelo menos 90% para a primeira dose da DTP, mas apenas 17 conseguiram aumentar as taxas desde 2019. Em 47 países, os índices estão estagnados ou em queda, incluindo 22 que antes superavam 90% e perderam esse nível.
Situação de outras vacinas
A cobertura global da vacina contra o HPV subiu de 17% em 2019 para 31% em 2024, com destaque para países que adotaram o esquema de dose única. Ainda que distante da meta de 90% até 2030, o crescimento é considerado relevante.
Para o sarampo, 84% das crianças receberam a primeira dose e 76% a segunda dose, representando um pequeno avanço. A meta de 95% de cobertura necessária para evitar surtos, no entanto, ainda não foi atingida em muitas regiões.
Ameaças ao progresso
A desinformação sobre vacinas, cortes em financiamento público e a instabilidade global são apontados pela ONU como ameaças diretas à imunização infantil. O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, destacou que as vacinas “salvam vidas e permitem que indivíduos e comunidades prosperem”, reforçando a urgência de ações coordenadas para evitar retrocessos.
Além disso, a OMS e o Unicef defendem que a imunização seja prioridade em respostas humanitárias, com financiamento adequado, combate à desinformação e acesso universal a vacinas essenciais.
*Com informações da ONU News.
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