Missão empresarial pode ser adiada; Comitiva do Senado mantém agenda para tentar reverter tarifa imposta pelo presidente Donald Trump

A tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos se intensifica com a aproximação da entrada em vigor da tarifa de 50% anunciada por Donald Trump. Enquanto diplomatas e empresários discutem o adiamento da missão empresarial, senadores brasileiros se mobilizam para negociar a suspensão da medida. A crise envolve questões comerciais, geopolíticas e institucionais, com impacto direto na economia e nas relações bilaterais.
Encarregado de Negócios dos EUA sugere adiar missão empresarial brasileira. Senadores embarcam para Washington na tentativa de conter tarifa de 50% sobre exportações nacionais.

A missão comercial organizada por empresários brasileiros para negociar a tarifa de 50% sobre produtos nacionais anunciada pelo presidente Donald Trump poderá ser adiada. A recomendação foi feita pelo Encarregado de Negócios dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, durante reunião com a direção do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), realizada em quarta-feira (23/07/2025), em Brasília.

Segundo Escobar, o mês de agosto coincide com o recesso nos EUA, o que tornaria mais produtiva a visita se realizada em setembro ou outubro. No entanto, a tarifa deve entrar em vigor já em 1º de agosto, o que impõe riscos adicionais ao setor exportador brasileiro.

Contexto da reunião com o Ibram e interesses em minerais estratégicos

O encontro com o Ibram, solicitado pelo diplomata norte-americano, teve como foco o fortalecimento da cooperação entre Brasil e EUA na área mineral. Participaram da reunião o presidente da entidade, Raul Jungmann, e o vice-presidente, Fernando Azevedo.

A pauta incluiu:

  • Interesse norte-americano em minerais críticos e estratégicos como nióbio, lítio e terras raras;

  • Discussão sobre a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, em formulação pelo governo brasileiro;

  • Proposta de ampliação da missão comercial para além do setor de mineração, como sugerido pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.

Apesar da possibilidade de adiamento, o Ibram informou que a data da missão ainda será discutida com seus associados.

Setores mais afetados e risco de reciprocidade tarifária

Os EUA representam 20% das importações e 3,5% das exportações do setor mineral brasileiro, conforme destacou Jungmann. A preocupação maior recai sobre as importações de maquinário pesado, que podem se tornar ainda mais onerosas com a possibilidade de retaliação tarifária brasileira.

Equipamentos impactados incluem:

  • Caminhões com capacidade acima de 100 toneladas;

  • Escavadeiras e carregadeiras industriais;

  • Moinhos e estruturas de extração mineral de grande porte.

As empresas do setor afirmam que, mesmo diante da incerteza, é necessário manter fluxos logísticos e contratuais, o que impede total paralisação enquanto aguardam definições.

Senado brasileiro articula missão diplomática nos EUA

Paralelamente, uma comitiva de senadores embarcará para Washington entre os dias 29 e 31 de julho, em tentativa de dissuadir o governo americano de manter a tarifa. A viagem é organizada pela Comissão Temporária sobre Relações Econômicas com os Estados Unidos, presidida pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS).

Participam da missão:

  • Jaques Wagner (PT-BA)

  • Tereza Cristina (PP-MS)

  • Rogério Carvalho (PT-SE)

  • Carlos Viana (Podemos-MG)

  • Esperidião Amin (PP-SC)

  • Astronauta Marcos Pontes (PL-SP)

  • Fernando Farias (MDB-AL)

Segundo Jaques Wagner, o objetivo é preservar empregos, empresas e a soberania nacional. Ele enfatizou que o Brasil está aberto ao diálogo, mas não aceitará imposições unilaterais.

Divergências internas e críticas à condução diplomática

A senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura, cobrou maior protagonismo do Itamaraty, criticando a suposta passividade do governo federal diante da escalada tarifária.

Por sua vez, Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, atribuiu motivação política à medida tarifária. Durante evento da agência com a Unicafes, no dia 22/07, afirmou que a ação visa atender grupos extremistas aliados de Jair Bolsonaro, com o objetivo de desestabilizar a economia brasileira.

Projeto Peiex: fortalecimento do cooperativismo sustentável

No mesmo evento, foi assinado um convênio entre a ApexBrasil e a Unicafes (União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária), visando internacionalizar cooperativas agroindustriais.

Destaques do projeto:

  • Capacitação de 1,5 mil cooperativas;

  • 92,6% com práticas sustentáveis;

  • 75% com perfil agroindustrial;

  • 73,4% com inclusão de jovens e mulheres.

Eduardo Bolsonaro critica missão e defende sanções

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) utilizou as redes sociais para criticar a missão parlamentar, classificando-a como “fadada ao fracasso”. Segundo ele, nenhuma negociação avançará sem a “anistia ampla, geral e irrestrita”, em alusão a aliados do ex-presidente Bolsonaro alvos de investigações judiciais.

Ele ainda culpou o ministro Alexandre de Moraes pelas sanções americanas, referindo-se à medida como “Tarifa-Moraes” e sugerindo que a restauração das liberdades fundamentais é condição para diálogo.

Riscos econômicos e diplomáticos

Jaques Wagner destacou que o Brasil mantém um déficit comercial anual de US$ 7 bilhões com os EUA, o que intensifica os efeitos negativos da tarifa de 50%.

A medida aprofunda a atual crise nas relações bilaterais, que já enfrentam tensões diplomáticas, como:

  • Sanções americanas contra membros do STF;

  • Medidas judiciais contra Jair Bolsonaro;

  • Atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA;

  • Reações do governo Lula e aliados.

Setores afetados alertam que o ambiente de incerteza pode comprometer:

  • Investimentos estrangeiros diretos;

  • Acesso a mercados estratégicos;

  • Competitividade das exportações brasileiras.

Governo Lula articula medidas jurídicas e diplomáticas

O governo federal avalia ações jurídicas de retaliação comercial e busca apoio de organismos multilaterais para conter o avanço de medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos sob a liderança de Trump. As negociações ocorrem em diferentes frentes, incluindo a mobilização da iniciativa privada e articulações no Congresso Nacional.


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