A missão comercial organizada por empresários brasileiros para negociar a tarifa de 50% sobre produtos nacionais anunciada pelo presidente Donald Trump poderá ser adiada. A recomendação foi feita pelo Encarregado de Negócios dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, durante reunião com a direção do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), realizada em quarta-feira (23/07/2025), em Brasília.
Segundo Escobar, o mês de agosto coincide com o recesso nos EUA, o que tornaria mais produtiva a visita se realizada em setembro ou outubro. No entanto, a tarifa deve entrar em vigor já em 1º de agosto, o que impõe riscos adicionais ao setor exportador brasileiro.
Contexto da reunião com o Ibram e interesses em minerais estratégicos
O encontro com o Ibram, solicitado pelo diplomata norte-americano, teve como foco o fortalecimento da cooperação entre Brasil e EUA na área mineral. Participaram da reunião o presidente da entidade, Raul Jungmann, e o vice-presidente, Fernando Azevedo.
A pauta incluiu:
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Interesse norte-americano em minerais críticos e estratégicos como nióbio, lítio e terras raras;
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Discussão sobre a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, em formulação pelo governo brasileiro;
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Proposta de ampliação da missão comercial para além do setor de mineração, como sugerido pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.
Apesar da possibilidade de adiamento, o Ibram informou que a data da missão ainda será discutida com seus associados.
Setores mais afetados e risco de reciprocidade tarifária
Os EUA representam 20% das importações e 3,5% das exportações do setor mineral brasileiro, conforme destacou Jungmann. A preocupação maior recai sobre as importações de maquinário pesado, que podem se tornar ainda mais onerosas com a possibilidade de retaliação tarifária brasileira.
Equipamentos impactados incluem:
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Caminhões com capacidade acima de 100 toneladas;
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Escavadeiras e carregadeiras industriais;
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Moinhos e estruturas de extração mineral de grande porte.
As empresas do setor afirmam que, mesmo diante da incerteza, é necessário manter fluxos logísticos e contratuais, o que impede total paralisação enquanto aguardam definições.
Senado brasileiro articula missão diplomática nos EUA
Paralelamente, uma comitiva de senadores embarcará para Washington entre os dias 29 e 31 de julho, em tentativa de dissuadir o governo americano de manter a tarifa. A viagem é organizada pela Comissão Temporária sobre Relações Econômicas com os Estados Unidos, presidida pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS).
Participam da missão:
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Jaques Wagner (PT-BA)
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Tereza Cristina (PP-MS)
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Rogério Carvalho (PT-SE)
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Carlos Viana (Podemos-MG)
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Esperidião Amin (PP-SC)
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Astronauta Marcos Pontes (PL-SP)
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Fernando Farias (MDB-AL)
Segundo Jaques Wagner, o objetivo é preservar empregos, empresas e a soberania nacional. Ele enfatizou que o Brasil está aberto ao diálogo, mas não aceitará imposições unilaterais.
Divergências internas e críticas à condução diplomática
A senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura, cobrou maior protagonismo do Itamaraty, criticando a suposta passividade do governo federal diante da escalada tarifária.
Por sua vez, Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, atribuiu motivação política à medida tarifária. Durante evento da agência com a Unicafes, no dia 22/07, afirmou que a ação visa atender grupos extremistas aliados de Jair Bolsonaro, com o objetivo de desestabilizar a economia brasileira.
Projeto Peiex: fortalecimento do cooperativismo sustentável
No mesmo evento, foi assinado um convênio entre a ApexBrasil e a Unicafes (União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária), visando internacionalizar cooperativas agroindustriais.
Destaques do projeto:
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Capacitação de 1,5 mil cooperativas;
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92,6% com práticas sustentáveis;
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75% com perfil agroindustrial;
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73,4% com inclusão de jovens e mulheres.
Eduardo Bolsonaro critica missão e defende sanções
O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) utilizou as redes sociais para criticar a missão parlamentar, classificando-a como “fadada ao fracasso”. Segundo ele, nenhuma negociação avançará sem a “anistia ampla, geral e irrestrita”, em alusão a aliados do ex-presidente Bolsonaro alvos de investigações judiciais.
Ele ainda culpou o ministro Alexandre de Moraes pelas sanções americanas, referindo-se à medida como “Tarifa-Moraes” e sugerindo que a restauração das liberdades fundamentais é condição para diálogo.
Riscos econômicos e diplomáticos
Jaques Wagner destacou que o Brasil mantém um déficit comercial anual de US$ 7 bilhões com os EUA, o que intensifica os efeitos negativos da tarifa de 50%.
A medida aprofunda a atual crise nas relações bilaterais, que já enfrentam tensões diplomáticas, como:
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Sanções americanas contra membros do STF;
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Medidas judiciais contra Jair Bolsonaro;
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Atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA;
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Reações do governo Lula e aliados.
Setores afetados alertam que o ambiente de incerteza pode comprometer:
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Investimentos estrangeiros diretos;
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Acesso a mercados estratégicos;
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Competitividade das exportações brasileiras.
Governo Lula articula medidas jurídicas e diplomáticas
O governo federal avalia ações jurídicas de retaliação comercial e busca apoio de organismos multilaterais para conter o avanço de medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos sob a liderança de Trump. As negociações ocorrem em diferentes frentes, incluindo a mobilização da iniciativa privada e articulações no Congresso Nacional.
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