Número de civis mortos em Gaza enquanto buscavam comida chega a 500, dizem organizações humanitárias

ONGs internacionais pedem fim do mecanismo de ajuda liderado por Israel e retomada da coordenação pela ONU.
ONGs internacionais pedem fim do mecanismo de ajuda liderado por Israel e retomada da coordenação pela ONU.

O número de civis mortos em Gaza enquanto tentavam obter alimentos chegou a 500, segundo informações divulgadas por mais de 160 organizações não governamentais internacionais. Os dados referem-se ao período desde o início das operações da chamada Fundação Humanitária de Gaza (GHF), estrutura de distribuição de ajuda humanitária criada e liderada por autoridades israelenses.

Em comunicado conjunto divulgado nesta terça-feira, as ONGs pedem o fim imediato da GHF e a restauração da distribuição de ajuda coordenada pelas Nações Unidas. As organizações afirmam que o atual mecanismo tem resultado em disparos diários contra civis, que enfrentam condições extremas para acessar os poucos pontos de distribuição de alimentos disponíveis.

Com o fim do cessar-fogo temporário em Gaza, os antigos 400 pontos de entrega de ajuda humanitária foram substituídos por apenas quatro locais, todos controlados por militares israelenses. Para alcançá-los, os quase 2 milhões de habitantes da Faixa de Gaza precisam caminhar por zonas de conflito ativas e áreas instáveis, o que os expõe a ataques de forças israelenses e de outros grupos armados.

Nos locais de distribuição, a população enfrenta superlotação, escassez de suprimentos e violência armada. De acordo com as ONGs, mais de 4 mil pessoas ficaram feridas durante tentativas de conseguir comida. A situação se agrava devido ao colapso do sistema de saúde em Gaza, que impede o atendimento emergencial das vítimas.

O comissário-geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (Unrwa), Philippe Lazzarini, classificou o modelo da GHF como um sistema que oferece “fome e tiros” à população local. Ele afirmou que o bloqueio imposto por Israel às ajudas e bens comerciais, em vigor há mais de 100 dias, inviabiliza alternativas para distribuição eficiente de alimentos e outros insumos essenciais.

Na segunda-feira (30/06/2025), uma escola da Unrwa usada como abrigo foi atingida por um ataque aéreo israelense e sofreu danos significativos. Segundo relatos iniciais, não houve vítimas, mas o incidente reforçou as preocupações sobre a segurança de locais civis em Gaza.

Atualmente, mais de 82% da população da Faixa de Gaza está sob ordens de deslocamento, o que compromete ainda mais a capacidade das famílias de se manterem alimentadas e protegidas. A falta de água potável, combustível para cozinhar e condições sanitárias básicas agrava o cenário de insegurança alimentar e crise humanitária.

*Com informações da ONU News.


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