A dívida pública global alcançou US$ 102 trilhões em 2024, um novo recorde histórico, conforme aponta o relatório A World of Debt 2025, publicado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) em 26 de junho. O documento ressalta que 3,4 bilhões de pessoas vivem em países que destinam mais recursos ao pagamento de juros da dívida pública do que aos setores de saúde ou educação.
A análise da UNCTAD é publicada no contexto da 4ª Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento (FFD4), que ocorre entre os dias 30 de junho e 3 de julho de 2025, em Sevilha, na Espanha. A conferência representa uma oportunidade estratégica para discutir a reforma da arquitetura financeira internacional, com foco na justiça econômica e na sustentabilidade das finanças públicas globais.
Países em desenvolvimento enfrentam encargos desproporcionais
De acordo com o relatório, os países em desenvolvimento são os mais afetados pela alta carga da dívida pública, que cresceu duas vezes mais rápido que nas economias avançadas desde 2010, totalizando US$ 31 trilhões em 2024.
Além disso, essas nações pagam taxas de juros médias entre duas e quatro vezes mais elevadas que os Estados Unidos, o que reduz a capacidade de investir em infraestrutura, serviços públicos essenciais e políticas de desenvolvimento
Gastos com juros ultrapassam investimentos sociais
Em 2024, os pagamentos de juros da dívida totalizaram US$ 921 bilhões nos países em desenvolvimento, representando um aumento de 10% em relação ao ano anterior. Segundo a UNCTAD, 61 países destinaram mais de 10% de suas receitas governamentais apenas ao pagamento de juros, em detrimento de investimentos sociais urgentes.
A situação é agravada pela falta de acesso a mecanismos de financiamento concessional e pela ausência de instrumentos multilaterais eficazes de reestruturação da dívida.
Propostas de reforma da arquitetura financeira internacional
A UNCTAD defende que a dívida pública, quando bem administrada, pode ser um instrumento legítimo de investimento e crescimento. No entanto, a atual arquitetura financeira internacional tem se mostrado ineficaz para proteger os países mais vulneráveis, especialmente em tempos de crise global.
Entre as propostas defendidas no relatório e na FFD4 estão:
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Tornar o sistema financeiro global mais inclusivo e orientado para o desenvolvimento
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Ampliar o acesso a financiamento emergencial em contextos de crise
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Criar mecanismos multilaterais eficazes para renegociação e liquidação de dívidas
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Oferecer maior assistência técnica e financiamento concessional de qualidade
A UNCTAD alerta que sem reformas estruturais, os países em desenvolvimento continuarão presos em ciclos de endividamento, comprometendo metas como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030.
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