A Prefeitura de Salvador oficializou, nesta terça-feira (01/07/2025), uma parceria com o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) para repasse de R$ 400 mil destinados à manutenção das atividades culturais e históricas desenvolvidas pela entidade. O convênio visa assegurar o funcionamento do IGHB, diante da suspensão de repasses estaduais, conforme apontado por seus dirigentes.
A assinatura do contrato foi realizada na sede do instituto, localizada na Praça da Piedade, com presença do prefeito Bruno Reis, da vice-prefeita e secretária de Cultura e Turismo (Secult), Ana Paula Matos, e do presidente do IGHB, Joaci Góes.
Apoio emergencial diante de crise orçamentária
Durante a cerimônia, Bruno Reis destacou a responsabilidade do município diante da ausência de apoio do Estado da Bahia, que deixou de cumprir a obrigação legal de custeio anual da entidade. O prefeito afirmou que o IGHB estava prestes a encerrar suas atividades por falta de recursos. A iniciativa da prefeitura, segundo ele, representa uma medida de proteção da memória histórica da Bahia, especialmente às vésperas do 2 de Julho, data simbólica da Independência do estado.
“A Prefeitura assume mais esta atribuição, para garantir a preservação da nossa história. Aqui estão arquivos, livros, imagens e registros fundamentais da Independência da Bahia. É o momento apropriado para esse repasse”, afirmou Bruno Reis.
Projeto para restauração e digitalização do acervo
Além do repasse imediato, o prefeito assumiu o compromisso de apoiar a restauração do prédio do IGHB e viabilizar a digitalização do acervo da instituição. A proposta envolve captação de recursos por meio do programa municipal Viva Cultura e leis de incentivo como a Lei Rouanet. O objetivo é garantir acesso digital aos documentos históricos, promovendo a democratização do conhecimento sobre a história baiana.
Patrimônio histórico e científico
Fundado em 13 de maio de 1894, o IGHB é reconhecido como organização da sociedade civil de interesse público (Oscip) e tem como missão promover o estudo e a difusão dos conhecimentos em Geografia, História e Ciências afins, além da preservação do patrimônio histórico e artístico.
A entidade possui a maior coleção de jornais e o maior acervo cartográfico da Bahia, concentrados na Biblioteca Ruy Barbosa e no Arquivo Histórico Theodoro Sampaio. O IGHB também é responsável por editar livros e periódicos, além de realizar congressos, palestras e eventos acadêmicos. Outro marco da sua atuação é a guarda do Pavilhão 2 de Julho, localizado no Largo da Lapinha, que abriga os símbolos históricos do Caboclo e da Cabocla.
Crise financeira e judicialização
O presidente do IGHB, Joaci Góes, criticou a interrupção do repasse por parte do Governo do Estado, apontando que o instituto deixou de receber recursos garantidos por projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa em 1994. A questão, segundo ele, foi judicializada após a Secretaria de Cultura estadual negar, pela primeira vez em décadas, os recursos de custeio.
“O IGHB é a instituição cultural mais importante da Bahia e do Nordeste até a criação da UFBA em 1946. Viveu sempre uma história de protagonismo. Pela primeira vez, essa obrigação do Estado foi negada, o que gerou grave impacto institucional”, afirmou Joaci Góes.
Reconhecimento do papel formativo do IGHB
A vice-prefeita Ana Paula Matos ressaltou a importância do IGHB para a construção da identidade cultural de Salvador e da Bahia. Para ela, a cultura vai além dos eventos festivos e se manifesta no processo contínuo de formação histórica e educativa do povo.
“Aqui se guarda e se faz história. Com esse patrocínio, asseguramos a manutenção do IGHB até o fim do ano. Este é um passo importante para garantir condições mais dignas ao funcionamento da instituição, que recebe estudantes e pesquisadores de todo o estado”, declarou Ana Paula Matos.










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