Presidente Donald Trump enfrenta pressão crescente ao tentar conter escândalo ligado a Jeffrey Epstein

Documentos ligados a Jeffrey Epstein são divulgados. Presidente Donald Trump processa o Wall Street Journal por suposta difamação. A ação judicial intensificou críticas sobre censura e falta de transparência no Governo dos EUA.

Na sexta-feira (18/07/2025), o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ajuizou uma ação judicial por difamação contra o Wall Street Journal, solicitando indenização de US$ 10 bilhões. A iniciativa foi motivada por uma reportagem que lhe atribui a autoria de uma carta com conteúdo sexual enviada a Jeffrey Epstein em 2003.

O objetivo de Trump era reposicionar a pauta pública em torno de sua imagem, especialmente após a assinatura de uma nova lei sobre criptomoedas. No entanto, a estratégia resultou em ainda mais desgaste político e midiático, reacendendo o debate sobre sua relação com o financista condenado por tráfico sexual de menores.

Projeções públicas e desgaste com a base eleitoral

Na noite de quinta-feira (18), mensagens projetadas na fachada da Câmara de Comércio dos EUA, localizada em frente à Casa Branca, cobraram de Trump a divulgação integral dos documentos ligados ao caso Epstein. O gesto evidenciou a crescente pressão pública — inclusive de setores que tradicionalmente apoiam o ex-presidente.

Além da crítica da imprensa, aliados republicanos passaram a exigir a transparência dos registros judiciais, cobrando a liberação de arquivos até então mantidos sob sigilo pelo governo norte-americano. A Casa Branca, por sua vez, negou a divulgação imediata de novos documentos, o que aumentou o descontentamento entre apoiadores.

A resposta de Trump e a posição do jornal

Em publicação na rede Truth Social, Trump reagiu com veemência:

Matéria mentirosa, mal-intencionada, difamatória e totalmente FAKE NEWS, publicada em um lixo inútil chamado Wall Street Journal“, escreveu o ex-presidente.

O periódico, controlado pela Dow Jones, respondeu por meio de porta-voz:

Confiamos plenamente na precisão e na responsabilidade das nossas reportagens, e vamos nos defender com todas as ferramentas legais disponíveis“.

Tentativa frustrada de redirecionar o debate

Em cerimônia realizada na Casa Branca, Trump tentou desviar o foco da controvérsia e direcionar a atenção para a sanção de uma nova lei sobre criptomoedas, afirmando que os Estados Unidos estão “liderando o sistema financeiro global”. Entretanto, o evento foi marcado por questionamentos insistentes da imprensa sobre o caso Epstein, que o ex-presidente preferiu não responder.

Essa tentativa de mudança narrativa revelou-se ineficaz diante da repercussão da reportagem e das suspeitas sobre a ligação de Trump com a rede de abusos operada por Epstein, morto em 2019 em uma prisão federal.

Divisão interna entre republicanos

O episódio gerou divisão dentro do Partido Republicano, com parte dos parlamentares defendendo a ampla divulgação dos documentos sigilosos que envolvem nomes de figuras públicas ligadas a Epstein. Trump, pressionado, autorizou parcialmente a liberação de depoimentos prestados ao grande júri. Paralelamente, o Departamento de Justiça solicitou à Justiça a autorização para publicar os autos da acusação de 2019 contra Epstein.

No entanto, as medidas foram consideradas insuficientes por grupos conservadores, que cobram transparência total e alertam que a omissão pode comprometer ainda mais a confiança pública.

Impacto político e risco de perda de capital simbólico

O caso expõe um risco real de erosão da narrativa política construída por Trump desde o início de sua campanha à presidência. Ao longo dos anos, o ex-presidente alimentou teorias conspiratórias sobre a morte de Epstein, insinuando que o financista teria sido assassinado para proteger poderosos — versão contrária à oficial, que aponta suicídio.

Agora, sob os holofotes e com as acusações direcionadas a ele próprio, Trump enfrenta o paradoxo de se tornar vítima da retórica que promoveu. A situação é especialmente delicada em ano pré-eleitoral, com possíveis implicações em sua tentativa de retorno à presidência em 2026.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.