Raul Seixas completaria 80 anos: legado musical e contestação continuam a influenciar gerações

No sábado (28/06/2025), Raul Seixas completaria 80 anos de idade, caso estivesse vivo. Considerado um dos precursores do rock brasileiro, o cantor e compositor nascido em Salvador (BA) construiu uma carreira de 26 anos, com 17 álbuns lançados e mais de 300 músicas compostas. Seu trabalho, que mistura rock, baião, crítica social, misticismo e filosofia, segue mobilizando fãs, pesquisadores e artistas contemporâneos.

Raul Seixas iniciou sua vida artística nos anos 1960, em Salvador, com a banda Os Panteras, influenciada pela Jovem Guarda e pelo rock americano, especialmente Elvis Presley, sua maior referência musical. A primeira tentativa de sucesso nacional ocorreu após a mudança para o Rio de Janeiro e a gravação do disco Raulzito e Os Panteras, que, no entanto, teve baixa repercussão.

Entre 1970 e 1972, Raul participou de projetos experimentais como o álbum Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das 10, e posteriormente obteve notoriedade ao apresentar a canção Let Me Sing, Let Me Sing no Festival Internacional da Canção. O reconhecimento definitivo veio com o lançamento do LP Krig-ha, Bandolo! (1973), que incluía sucessos como Mosca na Sopa e As Minas do Rei Salomão.

Parcerias musicais e temáticas recorrentes

Raul estabeleceu parcerias marcantes com letristas e músicos como Paulo Coelho, com quem compôs canções emblemáticas como Sociedade Alternativa e Gita, e posteriormente com Cláudio Roberto, parceiro em mais de 50 músicas, como Cowboy Fora-da-Lei e Aluga-se.

Seus temas abordavam liberdade individual, contestação ao sistema, autoconhecimento, misticismo, crítica social e elementos da contracultura. O artista se autodefinia como materialista dialético, apesar de explorar símbolos do ocultismo e da filosofia esotérica em suas composições.

Perseguição política e exílio

A proposta da Sociedade Alternativa, inspirada no lema “Faze o que tu queres, há de ser tudo da Lei”, causou reações negativas da repressão militar. Raul foi preso e torturado pelo DOPS e, sob pressão, deixou o país rumo aos Estados Unidos, onde viveu com Paulo Coelho e outros colaboradores por um período.

Últimos anos e legado pós-morte

Raul enfrentou sérios problemas de saúde decorrentes do alcoolismo crônico, incluindo diabetes, pancreatite e hipertensão, que o levaram à morte, em 21 de agosto de 1989, aos 44 anos, em seu apartamento em São Paulo.

Desde então, sua memória é mantida viva por iniciativas como a Passeata Raulseixista, realizada anualmente em São Paulo, e eventos como o show Baú do Raul, no Circo Voador (RJ), que neste ano contará com artistas como Frejat, Paulinho Moska, Ana Cañas, BNegão e Vivi Seixas, filha do artista.

Preservação da memória e influência contemporânea

Vivi Seixas, DJ e produtora musical, afirmou à Agência Brasil que preservar a obra do pai é um “ato de amor e responsabilidade”. Ela destacou o impacto geracional de Raul, que continua a conquistar novos públicos mesmo décadas após sua morte. “Ele nunca se curvou ao sistema, provocou mudanças e abriu caminhos artísticos, filosóficos e espirituais”, disse.

Para o pesquisador Herom Vargas, da Universidade Mackenzie, o reconhecimento tardio de Raul Seixas demonstra a dificuldade de inovadores em conquistar espaço no mercado fonográfico brasileiro da época. Já o amigo e fã Sylvio Passos, fundador do fã-clube oficial Raul Seixas Oficial Fã Clube, destacou a pluralidade e a capacidade do artista de traduzir questões filosóficas e históricas para o público popular.

Dados sobre a obra e direitos autorais

De acordo com o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), Raul Seixas tem 324 obras musicais e 409 gravações registradas. A música mais executada no último ano foi Cowboy Fora-da-Lei. Já a canção com maior número de versões é Medo da Chuva, com 72 fonogramas cadastrados.

Canções emblemáticas do artista

A lista de composições notáveis inclui:

  • Maluco Beleza

  • Metamorfose Ambulante

  • Ouro de Tolo

  • Eu nasci há 10 mil anos atrás

  • Gita

  • Sociedade Alternativa

  • Cowboy Fora-da-Lei

  • Tente Outra Vez

  • Mosca na Sopa

  • O Dia em que a Terra Parou

Essas obras continuam sendo reproduzidas em plataformas de streaming, apresentações musicais e homenagens públicas, mantendo Raul Seixas como referência cultural e artística para múltiplas gerações.


Descubra mais sobre Jornal Grande Bahia (JGB)

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


Avatar de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia

Valorize o jornalismo crítico, plural, rigoroso e comprometido com a verdade factual, a democracia, o Estado de Direito e o interesse público. Escolha o Jornal Grande Bahia (JGB) como fonte preferida no Google: clique aqui.

Sua confiança também fortalece nosso trabalho: avalie o JGB

Selecione o JGB e receba nossas notícias com mais destaque.


Deixe um comentário


Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.