Tailândia e Camboja firmam cessar-fogo incondicional e encerram conflito fronteiriço

Tailândia e Camboja anunciaram nesta segunda-feira (28/07/2025) um cessar-fogo imediato e incondicional, encerrando quatro dias de intensos confrontos militares na região de fronteira entre os dois países. A medida foi divulgada após mediação do primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, em Kuala Lumpur, sede das negociações e país que atualmente preside a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).

O acordo, classificado como “definitivo” por Anwar, entra em vigor à meia-noite e foi firmado na presença dos líderes dos dois países. A decisão ocorre após pelo menos 36 mortes e o deslocamento de mais de 200 mil pessoas desde a retomada do conflito na quinta-feira (24/07/2025).

Esforço regional para estabilização

O primeiro-ministro do Camboja, Hun Manet, afirmou que o entendimento permitirá a retomada do diálogo bilateral e a normalização das relações diplomáticas. Por sua vez, o premiê interino da Tailândia, Phumtham Wechayachai, garantiu o compromisso de cumprimento do cessar-fogo “de boa fé”.

A mediação envolveu representantes de alto nível da Asean e ocorre em um contexto de instabilidade regional crescente. O papel da Malásia como facilitadora reforça o esforço do bloco para garantir a segurança e estabilidade do Sudeste Asiático.

Conflito histórico e disputas territoriais

A disputa territorial entre Tailândia e Camboja remonta a 1907, quando o então Reino de Sião firmou acordos com a França, potência colonial que controlava o Camboja. Os tratados definiram a maior parte das fronteiras atuais, mas deixaram áreas indefinidas, principalmente em torno do templo Preah Vihear, construção religiosa dos séculos 11 e 12.

Em 1962, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) atribuiu a soberania sobre o templo ao Camboja, mas a questão do acesso à área, que se dá pelo lado tailandês, permanece em disputa. O conflito foi reaceso em 2008, com a inclusão do templo na lista de patrimônios mundiais da Unesco, gerando novos embates armados e dezenas de mortes.

A atual crise teve início em maio de 2025, com a morte de um soldado cambojano em uma zona disputada. Como resposta, o Camboja suspendeu importações de produtos tailandeses e acionou novamente a CIJ, questionando o controle sobre quatro zonas fronteiriças. A escalada incluiu explosões de minas terrestres, expulsão de embaixadores e o reforço militar nos dois lados da fronteira.

Perspectivas

Com o acordo de cessar-fogo firmado, espera-se a retomada das negociações diplomáticas e o retorno das populações deslocadas. Observadores internacionais destacam a importância da continuidade do monitoramento da trégua e do engajamento da Asean como mediadora de soluções duradouras para conflitos fronteiriços históricos.

*Com informações da RFI.


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