A Braskem, sexta maior petroquímica do mundo, estuda a venda de suas operações nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que cresce a disputa entre acionistas majoritários e investidores interessados em ampliar participação no controle da companhia, entre eles a Petrobras e o empresário Nelson Tanure.
O negócio, avaliado em cerca de US$ 1 bilhão, envolve fábricas de polipropileno localizadas no Texas, Pensilvânia e West Virginia. De acordo com o colunista Lauro Jardim, as tratativas têm a Unipar como potencial compradora. Apesar das conversas, a Braskem declarou oficialmente que tais ativos continuam estratégicos e que nenhuma decisão final foi tomada.
A Novonor (antiga Odebrecht), controladora com 50,1% do capital votante, conduz diretamente as negociações. Além dos EUA, a Braskem mantém unidades no México e Alemanha, além de escritórios comerciais na Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Holanda e Singapura, reforçando seu alcance internacional.
Disputa acionária: Tanure avança e Petrobras reage
Há três semanas, a Petroquímica Verde FIP, ligada a Nelson Tanure, notificou o Cade sobre possível aquisição das ações da Novonor, operação que exige reestruturação de dívidas e o aval dos principais credores — Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e BNDES.
A Petrobras, dona de 47% do capital votante, também acionou o Cade e manifestou publicamente interesse em ampliar seu poder decisório. Em entrevista, a presidente Magda Chambriard criticou o atual modelo de gestão:
“Não é útil para a gente uma Braskem independente demais, porque a gente perde essa sinergia. E, perdendo sinergia, você deixa dinheiro sobre a mesa.”
Estratégia com fundo de private equity
Segundo fontes próximas, a proposta do grupo de Tanure prevê a criação de um fundo de private equity para reunir as ações da Braskem hoje dadas em garantia pelos credores da Novonor. Esse mecanismo permitiria ao novo investidor assumir o controle, renegociar dívidas e eventualmente capitalizar a companhia, sem participação direta dos bancos no comando.
Pressão financeira e resultados negativos
A Braskem registrou prejuízo líquido de R$ 267 milhões no segundo trimestre de 2025, com consumo de caixa de R$ 1,45 bilhão e endividamento recorde de US$ 6,8 bilhões. A receita líquida caiu para R$ 17,86 bilhões, impactada pela retração no México e pela queda de preços internacionais.
O Ebitda recorrente desabou 77% em dólares, para US$ 74 milhões, com margem de apenas 2%. A alavancagem saltou de 6,79x para 10,59x Ebitda, nível considerado insustentável no setor. Como reflexo, a Fitch rebaixou o rating de crédito global de BB+ para BB.
Impacto nas ações
No pregão de 7 de agosto, as ações da Braskem tocaram a mínima em 15 anos, a R$ 8,16, antes de fechar a R$ 8,39, queda de 1,53%. Investidores citam a fragilidade financeira e a indefinição sobre ativos e controle como principais fatores de pressão.
Unipar como potencial compradora
A Unipar, controlada por Frank Geyer Abubaki, já pediu acesso aos dados financeiros das operações americanas. Com R$ 1,48 bilhão em caixa e dívida líquida de R$ 959 milhões (alavancagem de 0,88x), possui fôlego para aquisições, embora analistas alertem que a negociação pode seguir o destino de tentativas anteriores frustradas.
Obstáculos regulatórios e implicações estratégicas
Qualquer transação relevante precisará de aval do Cade, dada a importância da Braskem para o parque petroquímico nacional. A definição sobre quem assumirá o controle — Tanure, Petrobras ou outro investidor — poderá redefinir a política de investimentos, a governança e o posicionamento estratégico da companhia em um mercado global pressionado por margens baixas e excesso de oferta.
Endividamento elevado e disputa societária
O caso da Braskem ilustra a vulnerabilidade de empresas brasileiras expostas a volatilidade global, endividamento elevado e disputa societária prolongada. A venda de ativos nos EUA poderia oferecer alívio imediato, mas não resolve o problema estrutural: a necessidade de reestruturar dívidas, recuperar margens e restaurar a confiança do mercado. A indefinição sobre o controle, somada a pressões regulatórias e financeiras, permanece como o maior entrave para decisões de longo prazo.
*Com informações do O Globo e InvesNews.
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