O motociclismo feminino no Brasil ganha força e visibilidade, alterando o perfil de um segmento historicamente associado à juventude masculina, à busca por velocidade e a comportamentos imprudentes. Hoje, cada vez mais, mulheres assumem o guidão e ocupam espaço nas ruas, transformando a forma como motoristas e a sociedade percebem o trânsito.
Segundo dados do setor, a produção nacional de motocicletas alcançou 1,141 milhão de unidades no último ano, o melhor resultado em 14 anos e um aumento de 12,4% em relação a 2024. Entre as compradoras, o número de mulheres cresce de forma contínua, impulsionado por mobilidade, economia e independência.
Especialistas apontam que, além do menor custo de aquisição e manutenção, a praticidade para circular e estacionar e a flexibilidade no deslocamento são fatores que levam muitas mulheres a optar pela moto. Outro motivo citado é a possibilidade de evitar assédio e superlotação no transporte coletivo.
Tendência internacional e segurança urbana
Em países como Holanda e França, o incentivo a meios de transporte individuais e sustentáveis se tornou política pública. Em Amsterdã, engarrafamentos de bicicletas já são realidade, promovendo um transporte saudável e não poluente. Em Paris, ciclofaixas e ruas restritas a veículos pesados estimulam deslocamentos diários de bicicleta para trabalho, escola e lazer.
No Brasil, embora a realidade seja distinta, há uma aproximação com esse movimento. A presença feminina nas motos reforça a necessidade de maior respeito e atenção no trânsito, especialmente de motoristas de veículos maiores.
Segurança e capacitação dos novos motociclistas
Apesar do crescimento, a segurança continua sendo um ponto de atenção. Embora algumas categorias sejam dispensadas de cursos obrigatórios em Centros de Formação de Condutores (CFCs), especialistas reforçam que a capacitação técnica é essencial. O conhecimento sobre manobras, conversões e direção defensiva pode reduzir acidentes e salvar vidas.
Autoridades de trânsito e associações de motociclistas recomendam uso constante de equipamentos de proteção — como capacete certificado, jaqueta com proteção e luvas — e respeito às leis de circulação.
Impacto cultural e social nas cidades brasileiras
O fenômeno da “mulherada nas motos” não se limita ao transporte: ele reconfigura a imagem da motocicleta no imaginário coletivo. Antes associada a imprudência, hoje simboliza autonomia, praticidade e empoderamento feminino. Em várias cidades, o trânsito ganhou novas cores e dinâmicas, com motoristas mais atentos e um convívio mais equilibrado entre diferentes modais.
Avanço social e cultural,
O crescimento da participação feminina no motociclismo representa um avanço social e cultural, mas ainda esbarra em desafios como preconceito, insegurança viária e ausência de infraestrutura adequada. Embora a alta produção de motos revele um mercado aquecido, o aumento do uso exige políticas públicas consistentes para educação no trânsito, fiscalização e melhorias viárias. Sem esses elementos, o progresso pode ser comprometido por índices crescentes de acidentes e por um convívio ainda tenso entre veículos de diferentes portes.
Análise realizada por Joseval Carneiro (joseval@plenus.net) — psicoterapeuta, advogado, palestrante, escritor e jornalista. É membro da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) e Vice-Presidente da Academia de Cultura da Bahia.
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