A Faixa de Gaza enfrenta uma crise humanitária sem precedentes, agravada pela decisão do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu de ocupar a Cidade de Gaza. Segundo um trabalhador humanitário local, Riyad, a população sofre com escassez de alimentos, água e medicamentos, além de deslocamento forçado e ataques militares constantes, enquanto os pontos de abrigo disponíveis estão superlotados.
De acordo com ONGs internacionais e autoridades europeias, a situação atinge “níveis inimagináveis”. Riyad afirma que quase um milhão de habitantes foram concentrados em 10% a 15% do território urbano, com as demais áreas ocupadas pelo Exército israelense. Entre os 8.400 caminhões de suprimentos programados para entrar no enclave, apenas 112 receberam autorização, e 90% foram atacados ou saqueados, sem chegar aos centros de distribuição da ONU.
Os mercados locais apresentam preços inacessíveis. Um quilo de farinha custa cerca de R$ 315, enquanto leite, vitaminas e alimentos essenciais para crianças estão em falta. A escassez de medicamentos e água potável aumenta o risco de mortes e doença, com filas para caminhões-tanque ultrapassando uma hora de espera.
Em contraponto, o Cogat, órgão israelense responsável pela administração civil nos territórios palestinos, nega a existência de fome generalizada, alegando que os dados do Ministério da Saúde de Gaza apresentam “diferenças significativas” e dúvidas sobre a credibilidade das mortes reportadas. O órgão afirma que não há documentação completa das vítimas.
O Egito, em coordenação com Catar e Estados Unidos, trabalha para implementar um cessar-fogo de 60 dias, incluindo a troca de reféns e envio de ajuda humanitária sem restrições, como forma de reduzir os impactos da guerra sobre a população civil.
Ataques a jornalistas e denúncias de impunidade
A cobertura jornalística da guerra em Gaza também é afetada, com pelo menos 200 jornalistas mortos desde o início do conflito, segundo levantamento da RSF. Entre eles, o correspondente da Al Jazeera Anas al Sharif, de 28 anos, foi morto em um ataque direcionado em 10/08/2025. O Exército israelense alegou que o jornalista seria membro do Hamas, enquanto organizações internacionais e colegas contestam as acusações, apontando ausência de provas e questionando a campanha de difamação contra profissionais da imprensa.
Rami Abou Jamous, fundador do Gaza Press, alerta que todos os jornalistas na região estão em risco, pois Israel busca controlar a narrativa e restringir o acesso de repórteres estrangeiros. Jamous destaca a necessidade de continuar documentando a situação para garantir que o mundo conheça a realidade em Gaza, apesar do perigo constante.
Anas al Sharif nasceu em Jabaliya, era casado, pai de dois filhos, e desde outubro de 2023 cobria a guerra após ataques do Hamas contra Israel. Em abril, escreveu uma mensagem pública pedindo que o mundo não esquecesse Gaza, que foi divulgada postumamente.
*Com informações da RFI.








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