O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) movimentou R$ 30,6 milhões entre março de 2023 e fevereiro de 2024, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), utilizado pela Polícia Federal (PF) no inquérito que apura suspeita de coação no curso do processo da tentativa de golpe de Estado.
De acordo com a PF, o relatório mostra que, no período analisado, houve R$ 30.576.801,36 em créditos e R$ 30.595.430,71 em débitos. Mais de 60% das entradas ocorreram por meio de PIX, totalizando 1,2 milhão de lançamentos que somaram R$ 19,3 milhões. Já os débitos concentraram-se em aplicações financeiras, com seis movimentações em CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e RDBs (Recibos de Depósito Bancário) que atingiram R$ 18,3 milhões.
Recursos do PL e indiciamentos
Em trecho separado do relatório, a PF destacou que, entre fevereiro e agosto de 2024, o Partido Liberal (PL) foi o principal remetente de recursos ao ex-presidente, com R$ 193 mil distribuídos em seis operações.
Na última quarta-feira (20/08), Jair Bolsonaro e seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), foram indiciados por coação no curso do processo e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. As acusações se referem a tentativas de pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) durante o julgamento da ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado.
Inteligência financeira e suspeitas de lavagem de dinheiro
O documento analisado pela PF trata-se de um Relatório de Inteligência Financeira (RIF). Esse tipo de relatório reúne informações e comunicações sobre operações suspeitas, com indícios de lavagem de dinheiro ou movimentações incompatíveis com a renda declarada.
O Coaf tem como atribuição identificar essas transações atípicas e comunicar às autoridades competentes quando há sinais de ilícitos. As conclusões agora integram o inquérito que investiga a suposta trama golpista envolvendo o ex-presidente e aliados próximos.
Novo elemento às investigações
O relatório do Coaf adiciona um novo elemento às investigações sobre Jair Bolsonaro, ampliando o escopo do inquérito da PF. O volume de transações — em especial a concentração via PIX e aplicações financeiras — levanta questionamentos sobre a origem e a destinação dos recursos. A vinculação do PL como fonte de parte dos valores introduz implicações políticas diretas, reforçando o elo entre finanças partidárias e defesa judicial. A investigação, contudo, ainda depende de aprofundamento probatório para diferenciar movimentações regulares de possíveis crimes de lavagem ou desvio de finalidade.
*Com informações do Jornal O Globo.










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