Governador Tarcísio de Freitas critica STF e defende ex-presidente Jair Bolsonaro após prisão domiciliar: “Um crime que não existiu”

Governador Tarcísio de Freitas durante pronunciamento à imprensa, no Palácio dos Bandeirantes, em resposta à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro decretada pelo STF.
Governador de São Paulo condena decisão do ministro Alexandre de Moraes, aponta riscos à democracia e convoca instituições à pacificação nacional.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, criticou veementemente, nesta segunda-feira (04/08/2025), a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que decretou prisão domiciliar contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, no âmbito do inquérito que apura a tentativa de subversão da ordem democrática. Em pronunciamento divulgado por vídeo, Tarcísio afirmou que o julgamento de Bolsonaro ocorreu “antes mesmo de qualquer crime ser configurado”.

Segundo o governador, a detenção representa um “absurdo jurídico e institucional”, por se basear em uma narrativa de golpe “que não aconteceu” e em “acusações que ninguém consegue provar”. A fala marca um dos posicionamentos mais incisivos de uma autoridade estadual contra a atual postura do STF, em especial do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.

Críticas à condução do STF e à fragilização das garantias individuais

Em seu pronunciamento, Tarcísio destacou que a condução dos processos contra o ex-presidente compromete princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito. “Vale a pena acabar com a democracia sob o pretexto de salvá-la?”, indagou o governador, sugerindo que o STF estaria extrapolando suas funções constitucionais.

Ele também apontou que o episódio simboliza uma escalada de confrontos institucionais, com impacto direto nas garantias individuais de todos os cidadãos. Para o governador, ao se permitir esse tipo de precedente, todos os brasileiros passam a estar vulneráveis diante de decisões arbitrárias, independentemente de sua posição ideológica.

Convocação por pacificação e crítica à “soma zero” institucional

Tarcísio defendeu a urgência de uma desescalada institucional, afirmando que a atual disputa entre Poderes está gerando “resultados de soma zero”, sem soluções práticas ou duradouras para os conflitos políticos e judiciais do país. Segundo ele, é papel das instituições retomar a mediação e o diálogo, evitando que o impasse se transforme em deslegitimação mútua entre os entes da República.

Já passou da hora das instituições tomarem iniciativas para desescalar a crise”, declarou.

A fala se soma ao crescente coro de vozes da direita institucional e de setores conservadores que têm questionado abertamente a atuação do Supremo, especialmente no tocante à prisão e inquéritos envolvendo Bolsonaro e seus aliados.

Solidariedade a Bolsonaro e mobilização de apoiadores

Ao final de seu discurso, o governador expressou solidariedade direta ao ex-presidente Jair Bolsonaro, dirigindo-se a ele com a frase: “Força, Presidente, estamos com você”. Também fez menção ao sentimento de punição coletiva: “Cada um de nós, brasileiros de bem, que acredita na liberdade, na democracia e na justiça, está sendo punido também”.

A manifestação de Tarcísio repercutiu imediatamente entre parlamentares, militantes e eleitores bolsonaristas, reforçando sua posição como uma das principais lideranças do campo conservador e ampliando especulações sobre sua candidatura à Presidência da República em 2026.

Riscos institucionais e o papel da moderação política

A declaração de Tarcísio de Freitas insere-se em um contexto de tensão institucional crescente no Brasil, no qual a judicialização da política e a politização do Judiciário se tornaram temas centrais do debate nacional.

O episódio revela a dificuldade de delimitar os limites entre justiça, segurança institucional e liberdade política. Ao mesmo tempo que denuncia excessos, a fala do governador corre o risco de contribuir para a radicalização discursiva e a erosão da confiança nas instituições.

O desafio, portanto, reside em construir canais legítimos de crítica que não alimentem a instabilidade sistêmica.


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