O Governo da Bahia e a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) apresentaram nesta quinta-feira (07/08/2025), em Brasília, propostas emergenciais e estruturantes ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) com o objetivo de minimizar os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A agenda reforçou a articulação entre o poder público estadual e o setor produtivo exportador, estabelecendo diálogo direto com o Governo Federal para defesa dos interesses da indústria baiana.
Durante o encontro, Afonso Florence, secretário da Casa Civil, representou o governador Jerônimo Rodrigues e liderou o Grupo de Trabalho criado para enfrentar os efeitos da nova tarifa. Participaram, remotamente, o presidente da FIEB, Carlos Henrique, o superintendente Vladson Menezes, a presidente-executiva da Associação das Indústrias Processadoras de Cacau, Anna Paula Losi, e o diretor de relações institucionais da Abiquim, Marcelo Pimentel.
O principal foco das discussões foi a busca por exclusão de produtos baianos da lista de sobretaxação e a redução de alíquotas junto ao Governo Federal. As medidas visam preservar a competitividade da indústria local e proteger os empregos diante da elevação das tarifas impostas pelos EUA, que afetam setores estratégicos da economia baiana, como petroquímica, cacau, celulose, pneus, metalurgia e produtos da agricultura familiar.
Propostas e articulação institucional para proteger a indústria e o emprego
Segundo o secretário Afonso Florence, “setores estratégicos da economia baiana foram ouvidos em uma agenda produtiva com o MDIC, e foi estabelecido um canal permanente de monitoramento com o Governo Federal”. A articulação, iniciada em reunião anterior com o vice-presidente e ministro da Indústria Geraldo Alckmin, já gerou os primeiros pleitos, fortalecendo o papel do Grupo de Trabalho estadual na defesa dos interesses produtivos da Bahia.
Florence afirmou:
“Nosso compromisso, seguindo a orientação do governador Jerônimo Rodrigues, é garantir que a Bahia tenha voz ativa nesse processo, protegendo empregos, assegurando competitividade e construindo soluções concretas para os impactos que ameaçam a base produtiva do estado”.
Impactos econômicos e estimativas de perdas para o estado
De acordo com o Observatório da Indústria da FIEB, a efetivação das tarifas pode gerar uma retração de 0,27% no PIB da Bahia, o que representa uma perda de R$ 1,3 bilhão. Cerca de 210 mil trabalhadores baianos estão diretamente empregados em setores industriais que exportam para os Estados Unidos. Os segmentos atingidos abrangem desde a indústria petroquímica e metalúrgica até a cadeia do cacau, têxteis, cosméticos e produtos agrícolas.
A preocupação central reside na possível desestruturação das cadeias produtivas, na redução da capacidade exportadora e no aumento do desemprego regional. Produtos tradicionais como frutas, café, mel e pescados também figuram entre os afetados, reforçando a necessidade de atuação coordenada para evitar retrocessos socioeconômicos.
Medidas sugeridas e perspectivas de resposta governamental
Entre as medidas apresentadas durante a reunião, destacam-se:
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Aceleração de compensações tributárias para empresas atingidas;
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Avaliação de alternativas regulatórias para proteger a produção local;
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Ampliação do Reintegra (regime de devolução de tributos para exportadores);
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Articulação diplomática para inserir as demandas baianas na pauta da Organização Mundial do Comércio (OMC);
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Inclusão dos produtos na Lista de Exceção à Tarifa Externa Comum (LETEC) e na Lista de Desequilíbrios Comerciais (LDCC).
O chefe de gabinete do MDIC, Pedro Guerra, reforçou que o Governo Federal mantém compromisso com a escuta ativa das demandas regionais e com a construção de soluções efetivas.
“Estamos atentos às demandas colocadas pelo Governo da Bahia e pelo setor produtivo. Esse diálogo é fundamental para que possamos construir, juntos, as medidas mais eficazes diante desse cenário”, afirmou Guerra.
Criação do Comitê Conjunto de Comércio Exterior e próximos passos
O Grupo de Trabalho baiano permanece em articulação com ministérios federais e deverá evoluir, nos próximos dias, para a criação de um Comitê Conjunto de Comércio Exterior (CCEX), reunindo representantes estaduais, federais e do setor industrial. O objetivo é garantir planejamento estratégico contínuo, monitoramento dos impactos e maior capacidade de resposta diante dos desdobramentos internacionais. A expectativa é que, nas próximas semanas, novas medidas de apoio sejam anunciadas, com ações compartilhadas entre Governo Federal e Governo da Bahia.











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