Na quinta-feira (07/08/2025), o governo do Líbano aprovou um plano que prevê o desarmamento do Hezbollah, a retirada progressiva de tropas israelenses do território libanês e a delimitação das fronteiras entre os dois países. A decisão foi tomada com base em proposta apresentada pelo emissário americano Thomas Barrack, apesar da saída de todos os ministros xiitas da reunião.
A medida foi adotada dois dias após o anúncio de que o Hezbollah será desarmado até o fim do ano, com detalhes a serem apresentados pelo Exército libanês até (31/08/2025). O plano, elaborado sob pressão dos Estados Unidos e em meio ao temor de intensificação dos ataques israelenses, havia sido rejeitado no dia anterior pelo movimento xiita.
Segundo o ministro da Informação, Paul Morcos, o governo aprovou o memorando sem fixar prazos específicos para o processo. A decisão recebeu elogios de autoridades internacionais, incluindo o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, que a classificou como um passo para o fortalecimento da soberania libanesa.
O Hezbollah se opôs à decisão, condicionando o desarmamento à retirada total das tropas israelenses. Quatro ministros xiitas — dois do Hezbollah, um do movimento Amal e um independente — deixaram a reunião em protesto. O grupo acusou o governo de ceder a exigências americanas e afirmou que ignorará a determinação.
O movimento xiita argumenta que a decisão viola o Pacto Nacional, que exige apoio das principais comunidades religiosas para decisões estratégicas. A ala armada do Hezbollah é a única facção libanesa autorizada a manter armas desde o fim da guerra civil (1975–1990). Caso o plano seja implementado, o grupo passará a estar formalmente fora da lei.
A oposição também se manifestou nas ruas, com apoiadores promovendo carreatas e marchas em Beirute e outras cidades. O governo afirma que o plano integra o acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, assinado em (27/11/2024), que prevê a retirada do Hezbollah do sul do rio Litani, o desmonte de suas infraestruturas militares e o reforço do Exército libanês e das forças de paz da ONU.
Israel, porém, mantém tropas em cinco posições estratégicas na fronteira. Enquanto isso, o vice-coordenador da Força Quds, Iraj Masjedi, declarou que o desarmamento “não vai acontecer”. Na mesma data, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul) anunciou ter localizado túneis fortificados, armas e munições no sul do país.
Apesar do cessar-fogo, ataques israelenses continuam. Na quinta-feira, bombardeios no leste do Líbano mataram pelo menos cinco pessoas e feriram outras dez, segundo o Ministério da Saúde.
*Com informações da RFI.








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