Idosa com Alzheimer denuncia fraudes e ameaças em Santa Bárbara; Caso expõe falhas do Sistema de Justiça e suspeita de envolvimento de servidor público

Uma idosa de 77 anos, identificada pelas iniciais N.S.S., diagnosticada com Alzheimer em estágio avançado, denunciou um casal por invasões, fraudes e intimidações destinadas à apropriação de seus bens. A vítima foi gravada clandestinamente na terça-feira (26/08/2025), nas proximidades da delegacia, e recebeu mensagem ameaçadora no mesmo dia. O episódio provocou consternação, pavor e repúdio popular. A representação criminal, já protocolada no Ministério Público, pede abertura de inquérito, nulidade de documentos e recuperação patrimonial, ao mesmo tempo em que lança luz sobre as falhas graves do Sistema de Justiça na proteção de idosos em situação de vulnerabilidade.

Quadro de hipervulnerabilidade

A idosa perdeu seu único filho em dezembro de 2023, vítima de suicídio, fato que a deixou em estado de hipervulnerabilidade social e emocional. Um laudo neurológico, emitido em 19/08/2025, confirma o diagnóstico de demência de Alzheimer (CID G 30.0), com sintomas de desorientação, agitação psicomotora e dependência total.

Segundo a denúncia, essa condição clínica teria sido explorada pelos acusados, que se aproximaram da vítima com justificativas falsas para conquistar sua confiança, criando as condições para fraudes, intimidações e usurpação de patrimônio.

Envolvimento de servidor público e saque de bens

Fontes ouvidas pela reportagem apontam que um servidor público estadual estaria, supostamente, envolvido no esquema, atuando em conluio com o casal investigado. O grupo teria se apropriado não apenas de bens móveis e imóveis em Santa Bárbara, mas também de propriedades localizadas em Salvador, ampliando a extensão patrimonial do suposto saque.

Além da apropriação material, os acusados teriam destruído a memória afetiva da idosa, eliminando fotografias, documentos pessoais e objetos de valor emocional — elementos essenciais para pacientes com doenças degenerativas, como o Alzheimer, manterem vínculos de identidade, memória e pertencimento.

Estrutura precária da Delegacia de Santa Bárbara

O caso expõe também a precariedade da segurança pública no município. A Delegacia de Polícia de Santa Bárbara funciona apenas em horário diurno e seu titular acumula a responsabilidade de duas outras unidades em municípios vizinhos, o que compromete a eficiência no atendimento e na investigação.

Essa limitação estrutural, somada à ausência de videomonitoramento urbano, favorece a proliferação de facções e organizações criminosas. A falta de vigilância e de efetivo policial em regime contínuo cria um ambiente propício para ações ilícitas sem resposta imediata, atrasando a elucidação de crimes e reduzindo a capacidade de prevenção.

Esquema relatado: invasões e fraudes

De acordo com o relato, os acusados teriam recolhido chaves e documentos de imóveis, ocasionando o desaparecimento de escrituras. Vizinhos relataram movimentações suspeitas, como troca de cadeados, construção de muro com cerca elétrica e instalação de câmeras.

O apartamento da idosa em Salvador foi anunciado para aluguel na OLX após a retirada de todos os móveis. Já a residência da Fazenda Mocó foi ocupada e esvaziada.

Ameaças e intimidações

No dia em que buscou atendimento na delegacia, a idosa foi gravada de forma clandestina nas proximidades da unidade policial. Pouco depois, recebeu mensagem ameaçadora, intensificando o clima de perseguição e ampliando sua vulnerabilidade.

O episódio extrapolou os limites individuais da vítima. Familiares e vizinhos passaram a sentir-se intimidados, temendo represálias diretas. As provas incluem prints de mensagens, registros policiais e laudos periciais, conferindo robustez à denúncia.

Esse conjunto de fatores agravou o sentimento de medo coletivo, transformando a idosa em alvo de pressões psicológicas severas e instalando um ambiente de insegurança generalizada em Santa Bárbara.

Indícios de atividade criminosa

O processo reúne indícios que apontam para a prática reiterada de crimes contra idosos:

  • Facão, máquinas de cartão e chaves de imóveis em posse dos acusados;
  • Veículo registrado em nome de outro idoso desaparecido;
  • Antecedentes criminais de estelionato e extorsão.

Esses elementos sugerem um padrão de exploração sistemática de idosos vulneráveis.

Crimes imputados

A denúncia lista os seguintes crimes, todos agravados pela condição da vítima:

  • Apropriação de bens de idoso;
  • Indução de incapaz a assinar documentos;
  • Estelionato;
  • Violação de domicílio;
  • Furto e roubo;
  • Ameaça;
  • Agiotagem.

Medidas requeridas

O advogado da vítima pediu:

  • Instauração de inquérito;
  • Quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico;
  • Busca e apreensão em imóveis;
  • Depoimento de testemunhas;
  • Pedido a plataformas digitais como a OLX;
  • Nulidade de documentos fraudulentos;
  • Prisão preventiva;
  • Recuperação de bens.

Apoio e repúdio da comunidade

O caso gerou profunda comoção em Santa Bárbara. Moradores expressaram solidariedade à idosa, reconhecida por sua trajetória como professora dedicada à comunidade.

A repercussão trouxe consternação em relação à vítima e pavor e repúdio contra os acusados, vistos como símbolos de oportunismo e violência contra idosos.

Falhas graves do Sistema de Justiça

Mais do que um crime isolado, o caso evidencia falhas estruturais do Sistema de Justiça, que não conseguiu proteger a vítima em tempo hábil. A lentidão investigativa e a ausência de medidas preventivas permitiram a continuidade das invasões, fraudes e ameaças.

Esse déficit institucional não apenas expõe idosos a novos riscos, como compromete a credibilidade do Sistema de Justiça do Brasil, Polícia, Ministério Público e Poder Judiciário, alimentando a descrença social na capacidade do Estado de proteger os mais frágeis.

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