Na quarta-feira (30/07/2025), o governo de Israel retomou o debate sobre a anexação de partes da Faixa de Gaza, em meio à crescente pressão internacional. A proposta, defendida por ministros como Zeev Elkin e apoiada por parlamentares do Likud, ocorre paralelamente a iniciativas do Reino Unido e da França para reconhecer o Estado palestino caso Israel não adote medidas humanitárias e interrompa a expansão de assentamentos.
Mobilização diplomática do Reino Unido e da França
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou durante conferência da ONU copresidida por França e Arábia Saudita que o Reino Unido está preparado para formalizar o reconhecimento da Palestina em setembro. O presidente Emmanuel Macron indicou que a França poderá realizar um reconhecimento solene antes dessa data, tornando-se o primeiro país ocidental a adotar oficialmente essa posição.
Ambos os governos condicionam suas decisões à suspensão da expansão de assentamentos na Cisjordânia e à liberação de ajuda humanitária em Gaza, cenário que segue crítico. O IPC, órgão internacional que monitora crises alimentares, alertou para risco iminente de fome em larga escala na região.
Anexação e tensões internas em Israel
A proposta de anexação avançou na Knesset, com resoluções prevendo a incorporação da Cisjordânia e a reinstalação de colônias judaicas em Gaza. Ministros da ala ultranacionalista, como Bezalel Smotrich, defendem a anexação total dos territórios palestinos.
Israel considera que o reconhecimento do Estado palestino representa uma recompensa ao terrorismo do Hamas, que realizou ataques em outubro de 2023, resultando em mais de mil israelenses mortos e centenas de sequestros. Em resposta, o cerco militar a Gaza já provocou mais de 60 mil mortes palestinas, segundo autoridades locais, com ONGs israelenses como B’Tselem e Médicos pelos Direitos Humanos denunciando ações como genocidas.
Nos bastidores, ideias como a defendida por Donald Trump, que sugeriu transformar Gaza na “Riviera do Oriente Médio”, voltam a circular entre aliados de Israel.
Pressão internacional e riscos regionais
A pressão diplomática aumentou com a coalizão de 15 países que aprovou a proposta franco-saudita por medidas irreversíveis rumo à criação de dois Estados. Catar e Egito apoiam a transferência da administração de Gaza à Autoridade Palestina, atualmente restrita à Cisjordânia. Israel e Estados Unidos boicotaram a conferência e mantêm oposição ao reconhecimento unilateral.
Especialistas alertam para o risco de uma nova Nakba, termo usado para descrever a expulsão em massa de palestinos em 1948. Para comunidades afetadas, o reconhecimento do Estado palestino é visto como uma possibilidade de romper ciclos históricos de violência e ocupação.
*Com informações da RFI.








Deixe um comentário