Ministro Rui Costa defende isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, anuncia programa Gás do Povo, comenta tarifaço e projetos de infraestrutura

O ministro Rui Costa anunciou que o governo vai isentar salários de até R$ 5 mil do Imposto de Renda em 2026, compensando a medida com tributação mínima de 10% sobre milionários. Na entrevista, ele também detalhou o programa Gás do Povo, os avanços do Minha Casa, Minha Vida, investimentos em obras como a ponte Salvador-Itaparica, a Transnordestina e o metrô do Recife, além de discutir tarifaço, governabilidade e regulação das big techs.
Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, o titular da Casa Civil, Rui Costa, detalhou a proposta de isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, defendeu tributação mínima sobre rendas milionárias, explicou o programa Gás do Povo, comentou o impacto do tarifaço dos EUA, falou sobre a governabilidade no Congresso, abordou obras de infraestrutura como a ponte Salvador-Itaparica, a Transnordestina e o metrô do Recife, além de discutir programas habitacionais e a regulação das big techs.

Na quarta-feira (27/08/2025), o ministro da Casa Civil, Rui Costa, defendeu a proposta do governo federal de isentar do Imposto de Renda salários de até R$ 5 mil a partir de 2026, medida que deve alcançar 20 milhões de brasileiros. Durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, ele afirmou que a iniciativa será compensada por uma alíquota mínima de 10% sobre rendas milionárias, criticou os privilégios de super-ricos que pagam menos proporcionalmente do que trabalhadores da classe média e respondeu a questionamentos sobre impactos nos municípios, articulação política no Congresso, programas sociais como o Gás do Povo, além de temas de infraestrutura, como a ponte Salvador-Itaparica, a Transnordestina e a concessão do metrô do Recife.

Justiça tributária e nova faixa de isenção

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, confirmou que o governo pretende isentar salários de até R$ 5 mil do pagamento do Imposto de Renda a partir de 2026, medida que deve alcançar 20 milhões de contribuintes.

Segundo ele, haverá ainda uma faixa de transição para quem recebe até R$ 7 mil, com redução da carga tributária. Para compensar a desoneração, o governo pretende instituir uma alíquota mínima de 10% sobre rendas milionárias, corrigindo distorções do sistema atual.

Crítica aos privilégios dos super-ricos

Rui Costa foi enfático ao apontar injustiças no modelo vigente, em que trabalhadores de classe média pagam mais proporcionalmente do que milionários.

“Não é justo que alguém que ganha R$ 4 mil pague imposto e outro que recebe R$ 2 milhões por ano encontre formas legais de não pagar nada. Isso não acontece em país civilizado nenhum”, disse o ministro.

De acordo com ele, a desoneração terá impacto direto na qualidade de vida da população de baixa renda, com reflexos imediatos no consumo de alimentos, vestuário, saúde e lazer, enquanto a taxação das grandes fortunas corrige falhas estruturais da arrecadação.

Expectativa de votação e resistências

O ministro disse acreditar que a medida será apreciada pelo Congresso ainda em 2025, com vigência já em janeiro de 2026. Para ele, será difícil a oposição rejeitar a proposta, embora possam surgir tentativas de desidratar os mecanismos de compensação.

Rui também rebateu críticas de prefeitos e da Confederação Nacional de Municípios (CNM), que apontam perdas estimadas em R$ 1,4 bilhão por ano. Ele afirmou que ajustes na tabela do IR sempre reduzem receitas temporárias e que não cabe exigir compensação automática da União para estados e municípios.

Programa Gás do Povo

Outro destaque foi o anúncio do programa Gás do Povo, que substituirá o atual Vale Gás. A iniciativa, que será lançada em setembro, prevê a entrega de botijões gratuitos a 15 milhões de famílias cadastradas no CadÚnico.

Atualmente, o benefício atinge cerca de 5 milhões de famílias e não cobre integralmente o custo do botijão. Com o novo modelo, o governo passará a pagar diretamente o valor integral às revendedoras, garantindo dignidade no preparo dos alimentos e reduzindo acidentes domésticos provocados pelo uso de álcool e outros combustíveis improvisados.

Minha Casa, Minha Vida e habitação popular

Rui Costa destacou ainda os avanços do programa Minha Casa, Minha Vida. Segundo ele, o governo já contratou 1,7 milhão de unidades habitacionais, sendo 1,4 milhão entregues e outras 300 mil em construção.

A meta inicial era contratar 2 milhões até 2026, mas o ministro afirmou que o governo deve superar a marca de 3 milhões de unidades. Ele ressaltou também que parte das moradias será destinada a pessoas em situação de rua, em parceria com prefeituras e entidades sociais.

Investimentos em infraestrutura

Durante a entrevista, Rui Costa abordou projetos de grande impacto regional:

  • Ponte Salvador-Itaparica: obras devem começar no início de 2026. O ministro destacou que o projeto já está licenciado e terá efeito transformador sobre o Baixo Sul e o Recôncavo baiano, comparando a iniciativa à ponte Rio-Niterói.
  • Metrô do Recife: o governo federal deve investir R$ 3 bilhões para modernização do sistema e transferir a concessão ao governo de Pernambuco, garantindo manutenção de empregos e melhora na qualidade do serviço.
  • Transnordestina: Rui confirmou que o presidente Lula decidiu retomar o trecho até o Porto de Suape (PE), revertendo decisão do governo anterior. O novo traçado deve ser adaptado para evitar áreas ocupadas por conjuntos habitacionais e manguezais.
  • Obras no Pará e COP30: o ministro informou que Belém receberá R$ 6 bilhões em investimentos de infraestrutura e saneamento para sediar a conferência climática da ONU em 2025, além de melhorias logísticas e hidrovias.

Tarifaço dos EUA e articulação internacional

Ao ser questionado sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos, Rui Costa afirmou que o governo brasileiro trabalha para diversificar mercados e ampliar exportações, destacando que cada aumento no comércio exterior gera empregos e circulação de renda dentro do país.

Ele criticou ações de parlamentares que, segundo ele, atuam no exterior para prejudicar a economia brasileira, o que classificou como uma “traição ao país”.

Governabilidade e base aliada

Rui Costa também comentou a fala do presidente Lula sobre a necessidade de reforçar a articulação política no Congresso. Segundo ele, partidos que ocupam ministérios devem assumir a defesa do governo, sob risco de comprometer a coerência da aliança.

Ele ressaltou que, apesar da oposição, o governo conseguiu aprovar as principais medidas em dois anos e meio e que continuará intensificando o diálogo com Senado e Câmara.

Regulação das big techs

Outro ponto abordado foi a regulação das plataformas digitais. Rui Costa afirmou que o governo apresentará projetos complementares após a votação no Congresso de texto já em tramitação.

Segundo ele, a regulação buscará:

  • Combater crimes virtuais e desinformação em aplicativos e redes sociais;
  • Garantir isonomia na competição entre big techs e veículos tradicionais, que hoje pagam tributos enquanto as plataformas acumulam receitas publicitárias sem contribuição proporcional.

Nova fase do governo Lula

Por fim, Rui Costa comentou a mudança no slogan do governo para “Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro”. Segundo ele, a alteração reflete a nova fase de reconstrução e fortalecimento nacional após os dois primeiros anos de gestão.

O ministro ressaltou que a prioridade é consolidar projetos de longo prazo, comparando o Brasil à China e à Coreia do Sul, que se tornaram potências ao adotar estratégias de planejamento contínuo em educação, tecnologia e infraestrutura.

Justiça social e estabilidade fiscal

A entrevista do ministro Rui Costa evidencia a tentativa do governo Lula de conciliar justiça social com estabilidade fiscal em um cenário de pressões internas e externas. A proposta de isenção até R$ 5 mil reforça o discurso popular, mas encontra resistência de municípios e setores de alta renda. Ao mesmo tempo, programas como o Gás do Povo e o Minha Casa, Minha Vida ampliam a rede de proteção social, enquanto obras estruturantes buscam impulsionar a economia regional. O desafio será garantir articulação política eficiente no Congresso diante de disputas por recursos e do impacto do tarifaço nas relações internacionais.

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