Negociações em Genebra buscam acordo global para enfrentar crise do plástico

Tratado pretende reduzir impactos ambientais, econômicos e de saúde pública causados pela poluição plástica.
Tratado pretende reduzir impactos ambientais, econômicos e de saúde pública causados pela poluição plástica.

As negociações internacionais para criação de um tratado global contra a poluição plástica começaram nesta terça-feira (05/08/2025) em Genebra, Suíça, reunindo 179 países. O objetivo é elaborar um instrumento juridicamente vinculativo que abranja todo o ciclo de vida do plástico, desde a produção e design até o uso e descarte, promovendo uma economia circular.

Impactos e riscos da poluição plástica

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) alerta que, sem um acordo global, a poluição plástica pode triplicar até 2060, provocando danos à vida marinha, à saúde humana e à economia global. Estudo publicado na revista The Lancet destaca que substâncias presentes em plásticos podem causar doenças em todas as fases da vida humana, afetando especialmente bebês e crianças pequenas.

A publicação também alerta que os custos econômicos globais relacionados à saúde decorrentes da poluição plástica excedem US$ 1,5 trilhão anuais. Produtos como canudos, sacolas, copos, misturadores e cosméticos com microesferas continuam entre os principais vetores de contaminação ambiental e marinha.

Estrutura das negociações

O Comitê Intergovernamental de Negociação (INC) conduz as discussões com base em um documento de 22 páginas e 32 artigos preliminares. Participam das sessões 1,9 mil representantes de governos, cientistas, ambientalistas e setores industriais.

Segundo Jyoti Mathur-Filipp, secretária executiva do INC, o foco das negociações é alcançar um consenso entre os Estados-membros para estabelecer compromissos claros de redução e substituição do plástico, com tecnologias alternativas e gestão sustentável de resíduos.

A diretora do Pnuma, Inger Andersen, reforçou que reciclagem isolada não é suficiente, sendo necessária uma transformação sistêmica para economia circular, evitando vazamento de resíduos para o meio ambiente e reduzindo riscos à saúde pública.

Expectativas para o tratado

Os defensores do acordo comparam a iniciativa ao Acordo de Paris sobre o clima, destacando que países produtores de petróleo e gás natural, que fornecem matérias-primas para plásticos, podem exercer pressão sobre o texto final. A conferência segue até 14 de agosto, com expectativa de aprovar diretrizes para a redação final do tratado.

*Com informações da ONU News.


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