A Organização das Nações Unidas (ONU) informou nesta segunda-feira (25/08/2025) que mais de 500 mil pessoas em Gaza estão passando fome, segundo a Classificação Integrada de Segurança Alimentar (IPC). Esta é a primeira vez que a fome é oficialmente declarada no Oriente Médio, e a expectativa é de que o quadro se intensifique nos próximos meses.
De acordo com a projeção do IPC, até o final de setembro de 2025, mais de 640 mil pessoas enfrentarão níveis considerados “catastróficos” de insegurança alimentar, classificados como Fase 5. Outros 1,1 milhão de habitantes estarão na Fase 4 (emergência), enquanto aproximadamente 396 mil serão afetados pela Fase 3 (crise).
A classificação de fome é determinada quando três parâmetros críticos são ultrapassados: privação extrema de alimentos, desnutrição aguda e mortes relacionadas à fome. A análise mais recente indica que esses critérios já foram atingidos em Gaza.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a crise não é resultado da escassez global de alimentos, mas sim de um colapso deliberado de sistemas essenciais à sobrevivência humana. Ele destacou que as condições no norte de Gaza podem ser ainda mais graves do que na Cidade de Gaza, mas a falta de acesso à região dificultou a coleta de dados.
Segundo o relatório, a fome deve se expandir nas próximas semanas para as províncias de Deir Al Balah e Khan Younis, ampliando a área de risco. Mais de 12 mil crianças foram identificadas como gravemente desnutridas, o maior número mensal já registrado, representando um aumento de seis vezes desde o início do ano.
O coordenador de Ajuda de Emergência da ONU, Tom Fletcher, afirmou que os alimentos destinados à população palestina estão retidos nas fronteiras em razão das restrições impostas por Israel. Ele classificou a situação como uma fome que poderia ter sido evitada.
Guterres reforçou que Israel tem obrigações previstas no direito internacional, incluindo a garantia de alimentos e suprimentos médicos à população civil. O líder da ONU e agências humanitárias reiteraram o apelo por um cessar-fogo imediato, a entrada irrestrita de ajuda humanitária em larga escala e a libertação dos reféns capturados em 7 de outubro de 2023 pelo Hamas e outros grupos armados.
A ONU alertou ainda que qualquer intensificação da ofensiva militar na Cidade de Gaza agravaria de forma significativa as consequências para civis que já convivem com fome extrema. O avanço da desnutrição infantil preocupa as agências humanitárias, que projetam que 43,4 mil crianças correm risco grave de morte por desnutrição até junho de 2026.
*Com informações da ONU News.
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