Reportagem de Aguirre Talento, publicada neste sábado (30/08/2025) no Estadão, informa que Polícia Federal (PF) revelou que o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, investigado por atuar em um suposto esquema de venda de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e em outros tribunais, acumulou um patrimônio de 396 veículos e quatro aeronaves, avaliados em R$ 113 milhões.
Os bens estão registrados em duas empresas ligadas ao empresário: a Florais Transporte, proprietária de 376 veículos, e a Florais Táxi Aéreo, responsável por quatro aeronaves. Segundo a PF, ambas as companhias apresentam fortes indícios de irregularidades e podem ter sido utilizadas para lavagem de dinheiro e pagamento de propinas.
Frota incompatível com a estrutura da empresa
A investigação destacou que a Florais Transporte possui apenas 48 funcionários, mas mantém uma frota oito vezes maior que o número de trabalhadores. O levantamento mostra que a empresa detém 113 caminhões cavalos-tratores, 48 reboques, 215 semirreboques e 20 veículos leves, totalizando R$ 97 milhões em ativos.
Esse descompasso entre a estrutura operacional e a dimensão patrimonial levou os investigadores a concluir que a empresa não possui capacidade real para gerir a frota apresentada, reforçando a suspeita de que os veículos foram adquiridos como forma de dissimular a origem ilícita de recursos.
Aeronaves com uso suspeito
A Florais Táxi Aéreo, também controlada por Andreson, possui quatro aeronaves avaliadas em R$ 16 milhões. Apesar de estar formalmente autorizada a atuar no setor, a PF constatou indícios de subutilização da frota e ausência de requisitos básicos, como o seguro obrigatório RETA (Responsabilidade Civil do Explorador ou Transportador Aéreo).
O relatório aponta que uma das aeronaves sequer apresentava movimentação nos registros oficiais. Os investigadores consideram a hipótese de que os aviões eram utilizados de forma irregular, inclusive para o transporte de autoridades do Judiciário, como parte da rede de influência do lobista.
Relatório enviado ao STF
As conclusões da PF foram apresentadas em relatório entregue neste mês ao ministro Cristiano Zanin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação está em fase final e busca comprovar se Andreson utilizava seus recursos para cooptar servidores do Judiciário, obtendo informações privilegiadas e favorecendo decisões judiciais em benefício de clientes.
Segundo a PF, o material apreendido amplia o escopo das apurações, revelando conexões ainda não identificadas e exigindo a reorganização das linhas investigativas. A defesa do lobista, procurada, não quis se manifestar.
Transparência e controle no Judiciário brasileiro
O caso escancara a fragilidade dos mecanismos de transparência e controle no Judiciário brasileiro, sobretudo quando envolve conexões entre lobistas e agentes internos das cortes superiores. O contraste entre a dimensão patrimonial do investigado e a estrutura precária de suas empresas evidencia falhas graves de fiscalização tributária e regulatória. A suspeita de uso de aeronaves para atender autoridades amplia a gravidade institucional, sugerindo não apenas corrupção empresarial, mas também possíveis vínculos de promiscuidade entre setores privados e o alto escalão do Judiciário. A continuidade do caso no STF será determinante para avaliar se haverá responsabilização efetiva ou se prevalecerá a impunidade recorrente em escândalos desse porte.
Principais dados levantados pela PF
Patrimônio suspeito
- 396 veículos (valor total de R$ 97 milhões)
- 4 aeronaves (valor de R$ 16 milhões)
- Total estimado: R$ 113 milhões
Detalhamento da frota terrestre
- 113 caminhões (cavalos tratores)
- 48 reboques
- 215 semirreboques
- 20 veículos leves
Estrutura empresarial
- Florais Transporte: 48 funcionários, frota 8 vezes maior que o quadro de pessoal
- Florais Táxi Aéreo: frota de 4 aeronaves, mas registros indicam subutilização e ausência de seguro obrigatório
Indícios de irregularidades apontados pela PF
- Uso de empresas para lavagem de dinheiro e pagamento de propina
- Suspeita de empréstimo de aeronaves a autoridades do Judiciário
- Operação formal de táxi aéreo sem comprovação de atividade real
- Relatório enviado ao ministro Cristiano Zanin (STF)
Contexto da investigação
- Esquema de venda de decisões judiciais envolvendo assessores do STJ
- Lobista Andreson de Oliveira Gonçalves como personagem central
- Relatório da PF em fase final de apuração











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