Conama aprova resolução para padronizar autorização de supressão de vegetação nativa em imóveis rurais

O Conama aprovou, em 03/09/2025, resolução que padroniza a emissão de Autorização de Supressão de Vegetação (ASV) em imóveis rurais, reforçando transparência e integração de dados via Sinaflor. A medida, apoiada pela ministra Marina Silva, integra o Plano Nacional sobre Mudança do Clima e contou com moções em defesa do licenciamento ambiental, da proteção marinha e da proibição da exportação de animais vivos.
Reunião do Conama em Brasília (03/09/2025) contou com a presença da ministra Marina Silva e aprovou resolução sobre supressão de vegetação nativa.

O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) aprovou na quarta-feira (03/09/2025), durante a 147ª reunião ordinária do Plenário, uma resolução que estabelece critérios nacionais para a emissão da Autorização de Supressão de Vegetação (ASV) em imóveis rurais. A medida, aprovada por unanimidade, tem como objetivo padronizar procedimentos, ampliar a transparência das informações ambientais e reforçar a integração de dados entre estados, municípios e órgãos federais.

De acordo com o Conama, a norma contribui para reduzir práticas ilegais e aumentar a segurança jurídica tanto para o setor produtivo quanto para as políticas públicas de monitoramento. Além disso, alinha-se ao compromisso do Brasil de alcançar desmatamento zero até 2030.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou que a construção da resolução se deu de forma participativa, com envolvimento de diferentes segmentos da sociedade.

“Em um ambiente não democrático, perderíamos a capacidade de aportar tamanhas contribuições para a gestão pública e para o fortalecimento do Sistema Nacional de Meio Ambiente”, afirmou.

Integração ao Sinaflor e prazos de implementação

Com a nova regra, as autorizações serão emitidas pelo Sistema Nacional de Controle da Origem de Produtos Florestais (Sinaflor), gerido pelo Ibama, ou por plataformas integradas a ele. Estados e municípios deverão disponibilizar as informações em formato padronizado e acessível ao público.

A norma entrará em vigor 180 dias após a publicação oficial e não se aplica às autorizações de exploração florestal.

Reforço ao Plano Nacional sobre Mudança do Clima

Durante a reunião, também foi deliberado que os órgãos do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama) devem ampliar a divulgação e incorporar, em suas atividades, o Plano Nacional sobre Mudança do Clima (Plano Clima).

O tema reflete a prioridade dada às políticas de adaptação e mitigação de impactos ambientais, especialmente em um cenário de maior cobrança internacional pela redução das emissões brasileiras.

Moções de apoio aprovadas pelo Conama

Além da resolução, o Conama aprovou três moções:

  • Licenciamento ambiental: apoio à manutenção dos vetos do presidente Lula à Lei Geral do Licenciamento Ambiental, preservando exigências como os Estudos de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) e a proteção de comunidades tradicionais.
  • Proteção marinha: defesa do fim da exportação de barbatanas e da captura insustentável de tubarões em águas brasileiras, prática considerada ameaça grave à biodiversidade.
  • Exportação de animais vivos: apoio ao Projeto de Lei 3.093/2021, em tramitação no Senado, que propõe a proibição da exportação de animais vivos para abate no exterior.

Avanços em tecnologia e estudos ambientais

Outro destaque da reunião foi a apresentação da plataforma de votação eletrônica do Conama, desenvolvida pelo Ministério do Meio Ambiente. O sistema permite registro de presença, votação e apuração em tempo real, aumentando a transparência dos processos.

Também foi divulgada a pesquisa da Coalizão pela Descarbonização dos Transportes, intitulada “Como tornar o setor de transportes um contribuidor ativo para a redução das emissões brasileiras”. O estudo busca soluções para alinhar o setor a metas de neutralidade climática.

Padronização e digitalização da gestão ambiental

A resolução do Conama representa um avanço significativo no processo de padronização e digitalização da gestão ambiental no Brasil. Ao integrar dados e exigir transparência, cria-se um ambiente mais seguro para produtores rurais e fortalece-se a capacidade de fiscalização do Estado. No entanto, especialistas alertam que a eficácia da medida dependerá da implementação prática por estados e municípios, muitos deles ainda carentes de recursos técnicos e financeiros para manter sistemas atualizados. O desafio será garantir que a norma não permaneça apenas no campo da regulação, mas se traduza em efetiva redução do desmatamento e maior confiabilidade dos dados ambientais.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.