A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil se manifestou nesta segunda-feira (22/09/2025) oficialmente após a ampliação das sanções impostas pelo governo Donald Trump contra autoridades brasileiras ligadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. As medidas, aplicadas com base na Lei Global Magnitsky, incluem a revogação de vistos e o bloqueio de bens e contas em instituições financeiras sob jurisdição norte-americana.
Segundo nota publicada na rede social X, com declaração atribuída ao secretário de Estado, Marco Rubio, a iniciativa tem caráter de advertência.
“Os Estados Unidos estão sancionando uma rede-chave de apoio ao violador de direitos humanos Alexandre de Moraes, incluindo sua esposa e o Instituto Lex. Que isto sirva de aviso a quem ameace os interesses dos EUA: vocês serão responsabilizados”, afirmou a embaixada.
Alvos diretos da medida
Entre os atingidos está o advogado-geral da União, Jorge Messias, que teve seu visto revogado e classificou a decisão como injusta.
Também figuram na lista:
- Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
- Lex Instituto de Estudos Jurídicos, entidade da família Moraes.
- José Levi do Amaral, ex-procurador-geral da República.
- Benedito Gonçalves, ex-ministro do TSE.
- Airton Vieira, juiz auxiliar do STF.
- Marco Antonio Martin Vargas, ex-assessor eleitoral.
- Rafael Henrique Janela Tamai Rocha, assessor de alto escalão no STF.
As sanções atingem tanto indivíduos quanto instituições ligadas ao magistrado, ampliando o cerco já iniciado em julho, quando o próprio ministro foi incluído na lista de sancionados.
Tesouro dos EUA cita violações de direitos humanos
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, justificou a decisão acusando Moraes de conduzir “uma campanha opressiva de censura, detenções arbitrárias e processos politizados”, com menção direta ao caso do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“A ação de hoje deixa claro que o Departamento do Tesouro continuará a perseguir indivíduos que fornecem apoio material a Moraes enquanto ele viola os direitos humanos”, declarou Bessent.
O comunicado foi divulgado pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) e publicado no site oficial do Departamento do Tesouro. A legislação prevê congelamento de ativos, proibição de transações financeiras e restrição de vistos.
Reação da direita brasileira
As medidas tiveram repercussão imediata entre parlamentares da oposição. Deputados do PL, como Nikolas Ferreira (MG) e Coronel Chrisóstomo (RO), afirmaram que os EUA confirmaram que o Brasil “não é uma democracia plena”.
Nas redes sociais, Caroline de Toni (PL-SC) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defenderam a concessão de uma anistia ampla como forma de “pacificar o país”. Já Marcos Pollon (PL-MS) classificou o episódio como o “início da primavera”.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, afirmou que as sanções mostram o efeito de uma “lei da semeadura inevitável”. Outros parlamentares, como Paulo Bilynskyj (PL-SP), exaltaram o trabalho de Eduardo Bolsonaro na articulação com autoridades norte-americanas.
Expansão do cerco internacional
Além de Viviane Barci e do Lex Instituto, apurações indicam que novos nomes próximos a Moraes poderão ser incluídos em futuras rodadas de sanções, entre eles os juízes Airton Vieira e Rafael Tamai, ambos lotados no gabinete do ministro.
A inclusão da esposa e da instituição familiar de Moraes amplia a pressão política e jurídica internacional sobre o magistrado, cuja atuação no STF tem sido criticada por diferentes setores políticos no Brasil e no exterior.
Cenário inédito
As sanções norte-americanas inauguram um cenário inédito nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos, atingindo não apenas uma autoridade do STF, mas também familiares e colaboradores diretos. A iniciativa expõe as tensões institucionais em torno da condução de processos políticos no país e coloca em xeque a imagem internacional do Judiciário brasileiro. Ao mesmo tempo, amplia a polarização interna: enquanto opositores comemoram, o governo se vê obrigado a responder em nível diplomático, sem margem para minimizar o impacto econômico e simbólico dessas medidas.
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