A Polícia Federal deflagrou, nesta manhã desta sexta-feira (12/09/2025), mais uma etapa da Operação Cambota, que investiga um esquema bilionário de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. Foram presos preventivamente Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o empresário Maurício Camisotti.
Segundo a PF, os alvos são acusados de liderar uma rede que descontava ilegalmente mensalidades associativas sem autorização diretamente dos benefícios previdenciários. O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou as medidas, incluindo 13 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.
Entre os alvos está o advogado Nelson Wilians, proprietário de um dos maiores escritórios de advocacia do país, conhecido pelo estilo de vida de luxo exibido em redes sociais. Em maio, a PF já havia apreendido uma BMW e documentos na residência de Romeu Carvalho Antunes, filho do “Careca do INSS”.
Defesa contesta acusações
O advogado Cleber Lopes, representante de Antunes, criticou a prisão e afirmou que o cliente vinha colaborando com a Justiça.
“Estamos com toda a documentação catalogada para apresentar às autoridades. A prisão preventiva decorre de uma compreensão equivocada dos fatos”, declarou.
Já a defesa de Camisotti ainda não se pronunciou. Em nota, Nelson Wilians reiterou que tem colaborado integralmente com as investigações e negou qualquer irregularidade, justificando que os R$ 15,5 milhões repassados a Camisotti foram referentes à compra de um terreno vizinho à sua residência.
CPMI acompanha investigações
O caso também é acompanhado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), instaurada no Congresso para apurar as fraudes. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), classificou as prisões como “um primeiro passo”:
“Temos muitas outras pessoas que precisam ser presas para evitar fuga e ocultação do patrimônio roubado dos aposentados.”
Na semana passada, a CPMI encaminhou ao ministro André Mendonça, relator no STF, pedido de prisão de 21 investigados, além de aprovar cerca de 400 requerimentos de quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático.
Próximos passos
O colegiado pressiona para que Antunes e Camisotti prestem depoimento à CPMI já na próxima semana, como conduzidos, caso o STF mantenha a convocação. O objetivo é avançar na identificação da rede de empresas de fachada e associações suspeitas de participar do esquema.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sustentam que as movimentações financeiras entre os investigados apresentam indícios de operações atípicas e de possível ocultação de patrimônio.
Gravidade das suspeitas
A nova fase da Operação Cambota reforça a gravidade das suspeitas que pairam sobre empresários e advogados de renome envolvidos em fraudes contra aposentados. O caso ilustra falhas de controle na Previdência e evidencia a necessidade de maior rigor na supervisão das entidades que têm acesso à folha de benefícios. A pressão política exercida pela CPMI pode acelerar as investigações, mas também levanta dúvidas sobre eventuais confrontos entre o Legislativo e o Judiciário na condução do processo. A dimensão bilionária do esquema exige transparência absoluta e responsabilização exemplar, sob pena de erosão da confiança na Previdência e nas instituições de justiça.








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