O presidente argentino, Javier Milei, se reúne nesta terça-feira (23/09/2025) com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Nova York, com o objetivo de negociar uma ajuda financeira emergencial que contenha a corrida cambial contra o peso argentino e reduza o risco de um novo calote da dívida nacional. A expectativa do mercado é definir o montante, condições e exigências da assistência norte-americana.
Contexto da crise e medidas recentes do governo
O governo argentino anunciou a eliminação temporária do imposto sobre exportações de grãos, cereais e carnes, com validade até 31/10/2025, ou até a captação dos primeiros US$ 7 bilhões em divisas, como forma de incentivar exportadores a enviar dólares ao país. A medida visa reforçar as reservas do Banco Central, que vêm sendo consumidas rapidamente para conter a desvalorização do peso.
Na semana passada, a instituição vendeu US$ 1,1 bilhão para tentar conter a pressão sobre a moeda local. Somente em 19/09/2025, foram vendidos US$ 678 milhões, uma das maiores transações cambiais dos últimos 25 anos, evidenciando a urgência financeira do país.
Negociações com os Estados Unidos e antecedentes históricos
Diferente de crises anteriores, desta vez a Argentina busca socorro direto do Tesouro dos EUA, em vez do Fundo Monetário Internacional (FMI). A última intervenção direta de Washington ocorreu em 2002, quando concedeu US$ 1,5 bilhão ao Uruguai para enfrentar uma crise bancária.
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, afirmou que a Argentina é um “aliado sistemicamente importante” e que Washington está disposto a apoiar o país sem impor condições. As opções de auxílio incluem um swap cambial, compra direta de divisas ou aquisição de dívida pública argentina em dólares.
Impacto nos mercados e reação financeira
Após o anúncio da disposição norte-americana de apoiar a Argentina, o dólar recuou 5,6% frente ao peso argentino, que se valorizou 2,5% frente ao euro. A Bolsa de Buenos Aires subiu 7,5%, enquanto ações específicas valorizaram até 25%, e a taxa de risco-país caiu 25,6%, alcançando 1.083 pontos-base.
Apesar do alívio momentâneo, a eliminação temporária das exportações reduz a arrecadação fiscal entre 0,25% e 0,28% do PIB, comprometendo parcialmente o superávit fiscal negociado com o FMI.
Perspectivas econômicas e eleitorais
A Argentina enfrenta dois grandes vencimentos de dívida em 2026, totalizando US$ 8,5 bilhões, o que pressiona a necessidade de um socorro financeiro de aproximadamente US$ 10 bilhões. O governo busca garantir a estabilidade do peso e manter seu plano econômico até as eleições legislativas de 26/10/2025.
A derrota eleitoral na província de Buenos Aires, em 07/09/2025, acelerou a corrida cambial e evidenciou a limitação do ajuste fiscal aplicado. A âncora cambial ao dólar e a alta das taxas de juros em 80% ao ano têm buscado controlar a inflação, mas paralisaram a economia e colocam o país à beira de recessão.
*Com informações da RFI.








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