Alemanha celebra 35 anos de reunificação com desigualdades persistentes entre Leste e Oeste

Nesta sexta-feira (03/10/2025), a Alemanha comemora o 35º aniversário da reunificação, conhecido como Dia da Unidade Alemã, feriado nacional que simboliza a incorporação da antiga Alemanha Oriental à República Federal em 3 de outubro de 1990, menos de um ano após a queda do Muro de Berlim. Apesar da integração política, desigualdades econômicas e sociais ainda persistem entre Leste e Oeste do país.

O principal evento da data ocorre em Saarbrücken, capital do estado do Sarre, com a presença do chanceler alemão, Friedrich Merz, e do presidente francês, Emmanuel Macron, convidado de honra para reforçar a parceria franco-alemã.

Divergências sobre a celebração

A ex-chanceler Angela Merkel, nascida na antiga Alemanha Oriental, questionou o convite a Macron, sugerindo que figuras da Alemanha Oriental ou da Europa Oriental poderiam ser priorizadas na comemoração. Essa posição evidencia diferenças históricas e culturais entre os dois lados do país, que ainda influenciam a percepção pública sobre a reunificação.

Insatisfação e percepção regional

Pesquisa realizada pelo instituto Infratest Dimap com 1.300 pessoas, encomendada pela rede pública ARD, indicou que 61% dos alemães estão satisfeitos ou muito satisfeitos com a reunificação, enquanto 34% se dizem insatisfeitos.

Ao separar os dados por região, observa-se que dois terços dos cidadãos do Oeste estão satisfeitos, enquanto apenas metade no Leste compartilha dessa avaliação. A distribuição desigual de riqueza é o principal fator de insatisfação no Leste, embora a liberdade política e de circulação seja valorizada por ambos os lados.

Dois terços dos entrevistados no Leste acreditam que a democracia não funciona plenamente, contra 50% no Oeste. Essa diferença de mentalidade reflete-se também em eleições recentes, como nas legislativas de fevereiro, em que o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu em todos os estados do Leste, exceto Berlim.

Disparidades econômicas persistentes

Apesar de avanços em desemprego e poder de compra, a diferença de renda entre Leste e Oeste ainda é significativa. Estudos da Fundação Bertelsmann indicam que o patrimônio médio no Oeste é de €153 mil, enquanto no Leste é de €67,4 mil, representando 44% do valor ocidental, mesmo após um crescimento de 75% desde 1990.

A taxa de desemprego, que chegou a 20,6% no Leste em 2005, atualmente é de 7,2%, contra 5,3% no Oeste. Esses dados mostram que, embora haja convergência, desigualdades estruturais ainda marcam a sociedade alemã, influenciando políticas regionais e decisões eleitorais.

*Com informações da RFI.


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