A Medida Provisória, que estabelecia tributação única de 18% para todas as aplicações financeiras a partir de 1º de janeiro de 2026 e aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para parte das instituições financeiras, foi retirada de pauta pela Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (08/10/2025). O requerimento da oposição foi aprovado com 251 votos favoráveis e 193 contrários, fazendo com que a MP perdesse validade à meia-noite, sem possibilidade de nova votação.
Impactos fiscais e expectativas do governo
A MP era considerada essencial pelo governo para compensar a revogação do decreto presidencial que aumentava o IOF, e tinha previsão de arrecadação adicional de R$ 10,5 bilhões em 2025 e R$ 21 bilhões em 2026, reduzida para cerca de R$ 17 bilhões após alterações na comissão mista que analisou a matéria. Com a perda de vigência, o governo precisará realizar cortes no Orçamento de 2025 e buscar novas fontes de receita em 2026, incluindo ajustes no IPI e no próprio IOF.
Segundo o relator da MP, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), a retirada da pauta é “lamentável” e compromete a arrecadação planejada. Ele criticou interferências políticas externas, citando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que teria articulado contra a aprovação da medida.
Pontos modificados e negociações
Antes da votação na comissão, o relator já havia modificado diversos pontos da MP, incluindo:
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Manutenção da isenção para títulos imobiliários e do agronegócio;
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Ajuste da tributação sobre juros sobre capital próprio (JCP) de 20% para 18%;
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Desistência do aumento da tributação sobre empresas de apostas (bets);
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Elevação da tributação de aplicações financeiras de 17,5% para 18%.
Zarattini afirmou que essas alterações buscaram atender demandas de diferentes setores econômicos e partidos, mas a medida acabou sendo rejeitada pela oposição.
Reações de governo e oposição
Deputados da oposição comemoraram a retirada, classificando-a como vitória da população contra novos impostos. Entre os parlamentares, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) declarou que a ação evidencia um governo que “não respeita a democracia”.
Por outro lado, líderes do PT e governo federal, como Lindbergh Farias (RJ) e José Guimarães (CE), consideraram a medida necessária para garantir o equilíbrio fiscal e arrecadar recursos para o Orçamento. Segundo eles, a rejeição reflete pressões políticas e não considerações técnicas.
Situação atual das tributações
Com o arquivamento da MP, permanecem vigentes as alíquotas anteriores:
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Ações e fundos de ações: 15%;
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Operações day trade: 20%;
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Fundos de renda fixa e produtos sem isenção: 15% a 22,5%, conforme prazo de aplicação;
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Instituições de pagamento e bolsas: CSLL de 9%;
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Empresas de capitalização e sociedades de crédito: CSLL de 15%.
*Com informações da Agência Câmara de Notícias.








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