A Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) sediou, entre os dias 22 e 24 de outubro de 2025, o Seminário de Pesquisa e Extensão do Departamento de Ciências Humanas e Filosofia (DCHF), evento que reuniu professores, estudantes e pesquisadores para discutir temas centrais das ciências humanas e sociais. As atividades ocorreram das 8h30 às 17h, com palestras, rodas de conversa e apresentações de pôsteres produzidos pelos diversos projetos de pesquisa e extensão vinculados ao DCHF.
Entre as mesas de destaque esteve a Roda de Conversa 2, realizada no dia 22, das 16h às 17h30, na Sala PAT 79, com a exposição de três projetos:
- Ataques nas escolas brasileiras: análise crítica a partir da Psicologia Histórico-Cultural, apresentado por Mariana Lins e Silva Costa e Afonso Mancuso;
- Trabalhando violência e gênero nas escolas, conduzido por Sônia Lima de Carvalho;
- Afiliação estudantil na UEFS: micropolítica e subjetividades, apresentado por Maria Eunice Limoeiro Borja.
Núcleo MULIERIBUS discute enfrentamento à violência de gênero
O Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres e Relações de Gênero (MULIERIBUS) participou do seminário com a proposta “Violência de Gênero na Escola: um debate urgente”, que buscou conscientizar a comunidade acadêmica e escolar sobre as múltiplas formas de violência de gênero presentes no cotidiano e propor estratégias de enfrentamento a partir da educação e da reflexão crítica.
A equipe do núcleo foi representada pela professora Sônia Lima de Carvalho (coordenadora) e por Clodoaldo Almeida da Paixão (vice-coordenador), além do pesquisador Ricardo Mattos e dos bolsistas e monitores voluntários Marcela, Tércia Ramos, Geovanna Martina e Thiago Santos, todos estudantes do curso de Direito da UEFS.
Durante o encontro, os participantes destacaram a necessidade de incluir o debate sobre gênero e respeito às diferenças no ambiente escolar como parte essencial da formação cidadã e da prevenção de comportamentos violentos e discriminatórios.
Concepções socioculturais de gênero e transformação social
Em sua exposição, a professora Sônia Lima enfatizou que o conceito de gênero deve ser compreendido como o conjunto de características sociais, culturais, políticas, psicológicas, jurídicas e econômicas atribuídas às pessoas, de acordo com construções históricas e socioculturais.
Segundo ela, “gênero é uma construção social que varia no tempo e nas culturas, e que define os papéis considerados masculinos ou femininos na sociedade. Como afirmou Simone de Beauvoir, não se nasce mulher, torna-se mulher”. Essa abordagem, explicou, é fundamental para compreender as raízes estruturais da desigualdade e da violência, tanto no espaço escolar quanto na vida pública.
O debate promovido pelo MULIERIBUS destacou ainda a importância de políticas públicas e práticas pedagógicas voltadas à igualdade de gênero e à valorização da diversidade, elementos que contribuem para a formação de uma sociedade mais justa e democrática.
Reflexões e desdobramentos
O evento reafirmou o papel da universidade pública como espaço privilegiado de formação crítica e emancipatória, capaz de articular ensino, pesquisa e extensão em torno de temas sociais relevantes. O diálogo entre diferentes áreas do conhecimento no DCHF permitiu construir abordagens interdisciplinares sobre temas sensíveis, como a violência de gênero, a cidadania e os direitos humanos.
As discussões do MULIERIBUS servem como instrumento de sensibilização e de transformação cultural, reforçando a importância de um olhar ético e inclusivo sobre as relações sociais e educacionais. A continuidade desses debates dentro e fora da universidade contribui para consolidar práticas pedagógicas baseadas na igualdade, respeito e dignidade humana.
Reflexão teórica em políticas educacionais
O seminário do DCHF evidencia o avanço da agenda acadêmica sobre gênero e violência no ensino superior público da Bahia, mas também aponta para a necessidade de expandir o debate para as redes municipais e estaduais de ensino. O desafio está em traduzir a reflexão teórica em políticas educacionais concretas, capazes de romper com estruturas discriminatórias arraigadas. O protagonismo de grupos como o MULIERIBUS representa um avanço institucional importante, embora ainda restrito a espaços específicos de militância e pesquisa.










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