O governador Jerônimo Rodrigues (PT) lançou nesta quarta-feira (22/10/2025) a 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), maior evento de popularização da ciência do Brasil, e anunciou a recuperação do Museu de Ciência e Tecnologia da Bahia, localizado no bairro do Imbuí. O ato ocorreu no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador, e contou com a presença do vice-governador Geraldo Júnior, secretários estaduais e representantes da comunidade científica.
“Aproximar a ciência da sociedade é transformar a sociedade em agente científico”, afirmou Jerônimo, ao destacar o papel da SNCT na democratização do conhecimento e no estímulo à formação científica de jovens baianos. Durante o evento, também foram lançados a 4ª edição da Revista Bahia Faz Ciência e o Edital do Prêmio Bahia Faz Ciência de Jornalismo, que reconhece iniciativas de divulgação científica.
Evento integra municípios e promove 400 atividades científicas
Realizada simultaneamente em 10 municípios — Camaçari, Salvador, Ituberá, Taperoá, Itaparica, Juazeiro, Itaetê, Andaraí, Lençóis e Iraquara — a SNCT mobiliza todas as regiões do estado e abrange os 27 Territórios de Identidade da Bahia. A programação envolve mais de 400 atividades voltadas à divulgação científica e tecnológica, com público estimado em 800 pessoas.
O evento segue até domingo (26/10), alinhado ao tema nacional definido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI): “Planeta Água: a cultura oceânica para enfrentar as mudanças climáticas no meu território”. A proposta é fortalecer o compromisso da Bahia com a educação ambiental e o uso sustentável dos recursos naturais, estimulando a reflexão sobre o papel da ciência diante das crises climáticas.
“Esta semana é um convite para que escolas, universidades e comunidades de todo o estado discutam, apresentem e vivam a ciência”, afirmou Jerônimo. “Queremos que a Bahia se consolide como um estado que valoriza o conhecimento científico e a inovação como instrumentos de transformação social”, acrescentou.
Normativa fortalece política científica e tecnológica do Estado
O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcius Gomes, destacou que a Bahia avança com uma nova normativa estadual de fomento à ciência, instituída neste ano, que estabelece diretrizes para a popularização, organização e descentralização da produção científica. “O que está em pauta é a institucionalização da política pública de ciência e tecnologia, que transforma a Bahia em referência nacional”, afirmou.
Segundo ele, a recuperação do Museu de Ciência e Tecnologia da Bahia, com investimento de R$ 4,5 milhões, representa um marco simbólico:
“O museu e o comitê são símbolos dessa trajetória — um representa o aprendizado do passado e o outro aponta para o futuro da inovação”.
Juventude científica: a nova geração de pesquisadoras
As estudantes Letícia e Luísa Santana, medalhistas em olimpíadas científicas, foram homenageadas no evento como representantes da nova geração de jovens cientistas da Bahia. Letícia, premiada com ouro no Torneio Nacional de Astronomia, relatou:
“Foi a minha primeira grande conquista e o que mais me incentivou a seguir nesse mundo das olimpíadas científicas”.
Sua irmã, Luísa, criadora do canal Luluca e as Fórmulas, destacou a importância do evento:
“A ciência surge da necessidade e da curiosidade. Quando a gente tem ciência aqui, é porque precisa de ciência daqui. É ela que permite inovar, preservar e adaptar as biodiversidades e os ecossistemas para o futuro”.
Comitê PopCiência Jovem e novas políticas de inclusão científica
Durante a cerimônia, foi empossado o Comitê Intersetorial PopCiência Jovem, encarregado de supervisionar e monitorar projetos voltados à promoção da ciência entre as juventudes baianas. A professora Solange Salete, uma das integrantes do comitê, ressaltou a importância do diálogo entre academia e sociedade:
“O Estado conseguiu unir a dimensão acadêmica com o olhar social. Popularizar a ciência é transformar o saber em cidadania”.
O grupo atuará em parceria com escolas, universidades e organizações civis, promovendo a formação científica descentralizada e estimulando o protagonismo juvenil na produção de conhecimento.
Revista Bahia Faz Ciência e o Prêmio de Jornalismo Científico
A 4ª edição da Revista Bahia Faz Ciência, lançada pela Secti, reúne 26 reportagens sobre projetos de pesquisa desenvolvidos por estudantes em diferentes regiões do estado. Com 20 mil exemplares impressos, a publicação será distribuída em escolas públicas e privadas. As reportagens abordam soluções criativas e sustentáveis, como fibras de coco e papel reciclado na construção civil e briquetes de bagaço de cana e casca de maracujá como fontes alternativas de energia.
O governador também anunciou o Edital do Prêmio Bahia Faz Ciência de Jornalismo, que contemplará profissionais e estudantes de comunicação que se destacarem na divulgação científica e tecnológica. A edição de 2025 amplia as categorias do concurso, incluindo segmentos voltados à iniciação científica escolar e à produção acadêmica universitária.
Autoridades presentes e apoio institucional
A solenidade contou com a presença de autoridades civis e militares, entre elas o almirante Gustavo Garriga, comandante do 2º Distrito Naval; as secretárias estaduais Rowena Brito (Educação), Ângela Guimarães (Igualdade Racial) e Neusa Cadore (Políticas para as Mulheres); além dos secretários Augusto Vasconcelos (Trabalho, Emprego, Renda e Esporte) e José Castro (Administração Penitenciária e Ressocialização).
Também participaram o diretor-geral da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), Handerson Leite, o coordenador de Políticas para a Juventude, Nivaldo Millet, e o coordenador do Programa Bahia Sem Fome, Tiago Pereira.
Articulação entre ciência, educação e cidadania
A iniciativa reafirma a política do governo baiano de articular ciência, educação e cidadania, integrando o conhecimento acadêmico às demandas sociais. A reativação do Museu da Ciência e Tecnologia simboliza não apenas a preservação da memória científica, mas a construção de um futuro baseado em inovação e inclusão. Contudo, o desafio de consolidar essa política exige continuidade orçamentária e ampliação da presença científica no interior do estado, para que o conhecimento se traduza em desenvolvimento equitativo.
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