O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), pediu prudência e equilíbrio ao comentar o caso suspeito de morte em Feira de Santana, supostamente relacionada ao consumo de bebida alcoólica adulterada com metanol. A declaração foi feita nesta sexta-feira (03/10/2025), durante cerimônia de entrega de veículos para o sistema público de saúde, em Salvador.
Segundo o governador, ainda não há confirmação oficial sobre a causa do óbito. Ele destacou que as autoridades estaduais, municipais e federais estão atuando em conjunto para investigar o caso, recolher amostras e garantir que a população receba informações verificadas, evitando a disseminação de boatos.
Ações conjuntas e investigação em andamento
Jerônimo afirmou que o Instituto Médico Legal (IML) e a Vigilância Sanitária Estadual já iniciaram as análises laboratoriais das amostras coletadas, com prazo estimado de sete dias para conclusão dos exames. “Estamos conversando com o governo municipal e com o Ministério da Saúde para garantir rigor técnico e transparência. O momento é de cuidado, não de pânico”, disse.
O governador lembrou que situações semelhantes já ocorreram no passado, como o episódio registrado em Santo Amaro, quando as autoridades conseguiram identificar e punir os responsáveis. Ele pediu que a população evite compartilhar informações sem confirmação oficial, especialmente em redes sociais e grupos de mensagens.
“Confie na Vigilância Sanitária Baiana. Assim que tivermos respostas concretas, iremos informar à sociedade. A prudência é essencial neste momento”, reforçou Jerônimo Rodrigues.
Secretaria Municipal de Saúde reforça importância da coordenação
O secretário de Saúde de Feira de Santana, Rodrigo Matos, afirmou que a investigação está sendo conduzida de maneira técnica e coordenada, dentro dos protocolos estabelecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Ele explicou que a vigilância epidemiológica do município está atuando junto com o Estado para apurar se o caso tem relação com outros registros semelhantes em São Paulo e Pernambuco, onde há suspeitas de intoxicação por metanol.
“Temos o apoio integral do Governo do Estado. As ações precisam ser coordenadas, porque só assim serão efetivas. O objetivo é oferecer uma resposta segura à população”, declarou Matos.
Segundo o secretário, o caso segue em fase de análise laboratorial, e os resultados devem indicar se há vínculo com o cenário nacional de bebidas clandestinas contaminadas. Ele reforçou que, até o momento, não há confirmação de outros casos na Bahia e que qualquer alerta deve partir exclusivamente das autoridades de saúde.
Crise nacional: mortes em São Paulo deram início à onda de alerta
O atual cenário de alerta sanitário teve início em agosto de 2025, quando oito pessoas morreram no estado de São Paulo após consumir bebidas alcoólicas contaminadas com metanol, principalmente em municípios do interior como Sorocaba, Campinas e Limeira. O caso levou a operações de fiscalização em bares, distribuidoras e depósitos clandestinos, resultando na apreensão de milhares de litros de bebidas falsificadas.
As investigações da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo apontaram que o crime organizado desviava metanol industrial, originalmente usado em combustíveis, para a produção ilegal de bebidas, em busca de lucro rápido e sem controle sanitário. O composto é extremamente tóxico e, mesmo em pequenas doses, pode causar cegueira irreversível, falência renal e morte.
Em setembro, o problema se espalhou para outros estados. Em Pernambuco, pelo menos duas mortes foram registradas após o consumo de destilados adulterados. Autoridades federais, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Anvisa, intensificaram a cooperação com secretarias estaduais de saúde e polícias civis para rastrear os fornecedores e combater a produção clandestina.
Ações federais e medidas de controle
Diante da gravidade do quadro, o Ministério da Saúde emitiu alerta epidemiológico nacional, orientando os estados a notificarem todos os casos suspeitos de intoxicação por metanol. A Anvisa também determinou a fiscalização reforçada de indústrias químicas que comercializam o produto, para evitar desvios para fins ilícitos.
A Polícia Federal abriu investigações paralelas para apurar possíveis conexões interestaduais entre as quadrilhas envolvidas. As autoridades estimam que o esquema pode ter movimentado milhões de reais em bebidas falsificadas, com impacto direto na saúde pública e na arrecadação tributária.
O Instituto Nacional de Criminalística (INC) vem colaborando na análise das amostras apreendidas, buscando estabelecer padrões químicos que permitam identificar a origem dos lotes contaminados. O governo federal também avalia propor mudanças legislativas para endurecer a punição de crimes ligados à falsificação de bebidas e à manipulação ilegal de produtos tóxicos.
Bahia monitora e reforça vigilância preventiva
Com o avanço da crise nacional, a Bahia passou a adotar protocolos de vigilância ativa. A Sesab enviou notificações a hospitais, unidades básicas e laboratórios, recomendando atenção redobrada a sintomas compatíveis com intoxicação por metanol, como visão turva, dores abdominais, náusea, confusão mental e dificuldade respiratória.
O governo estadual também articula uma campanha educativa, voltada a bares, distribuidores e consumidores, para conscientizar sobre os riscos de adquirir bebidas sem procedência fiscal. Em casos de suspeita, a orientação é preservar o recipiente e acionar imediatamente a vigilância sanitária municipal.
Feira de Santana, por ser o segundo maior município da Bahia, é considerada estratégica para o monitoramento, devido ao intenso fluxo de comércio e distribuição de bebidas no interior do estado. O episódio recente reforçou a necessidade de integração permanente entre prefeituras, Sesab e Ministério da Saúde.
Prudência comunicacional
A postura do governo baiano — marcada pela prudência comunicacional — é coerente com o estágio inicial da investigação, mas evidencia também o impacto nacional da crise do metanol, que escancara falhas estruturais no controle sanitário e fiscal do país. A dispersão geográfica dos casos mostra que o problema transcende fronteiras estaduais, exigindo uma resposta federativa coordenada e sustentada por inteligência policial.
A crise do metanol combina três fatores de vulnerabilidade: omissão regulatória, fraude empresarial e informalidade de mercado. Esse tripé, somado à precariedade das fiscalizações locais, cria um terreno fértil para tragédias de saúde pública. A Bahia, ao agir de forma preventiva, tenta evitar o efeito dominó observado em outros estados, mas o episódio evidencia a urgência de revisar o rastreamento químico e fiscal das cadeias produtivas de álcool e solventes no Brasil.
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