A abertura da primeira loja física permanente da Shein no BHV Marais, uma das lojas de departamento mais tradicionais de Paris, provocou protestos e uma greve de três horas nesta sexta-feira (10/10/2025). Sindicatos e marcas locais alertam para os impactos sobre empregos, sustentabilidade e a saúde financeira do estabelecimento, enquanto a empresa defende a iniciativa como uma forma de homenagear a moda francesa.
Reação de marcas e sindicatos
Saída de marcas e críticas
Marcas como a Aime, cofundada por Mathilde Lacombe, decidiram abandonar o BHV Marais em protesto contra a parceria com a Shein. Segundo Lacombe, o acordo representa um risco à sobrevivência das marcas locais e ao equilíbrio econômico da loja. Sindicatos reforçaram que a presença da Shein pode afetar centenas de empregos e prejudicar fornecedores e funcionários.
Impactos ambientais e laborais
A Shein, fundada na China e com sede em Cingapura, é alvo de críticas pelo modelo de negócios de fast fashion, acusado de impactos ambientais negativos e condições de trabalho exploratórias em suas fábricas. A chegada da empresa a um centro de compras tradicional de Paris gerou alerta entre marcas locais e organizações do setor, incluindo a FFPAPF, que destacou a possibilidade de saturação do mercado com produtos descartáveis.
Posicionamento da Shein e expansão no mercado francês
Defesa da empresa
Em nota, a Shein afirma que a entrada no varejo físico francês é uma forma de homenagear a França, considerada referência global em moda. O presidente executivo Donald Tang explicou que a escolha do país se deve à criatividade e excelência do setor de moda francês. Além do BHV Marais, a empresa planeja abrir lojas em Dijon e Reims, ampliando sua presença no mercado local.
Situação financeira do BHV Marais
O BHV Marais já enfrentava desafios antes da chegada da Shein. A SGM, empresa gestora, registrou atrasos em pagamentos a fornecedores e perda de marcas de luxo, como a Slip Francais, que entrou com ação judicial. A SGM afirmou que os atrasos são temporários, devido à implementação de sistema contábil automatizado, e informou que a loja retornou a lucrar em 2024.
Futuro do varejo de moda francês
Debates sobre sustentabilidade
A entrada da Shein no varejo físico levanta questões sobre sustentabilidade, ética e impacto social. Críticos afirmam que a expansão de produtos de baixo custo e rápido consumo pode ser incompatível com os valores de moda sustentável adotados por muitas marcas francesas.
Repercussão no setor
Embora a Shein defenda sua atuação como celebração da moda francesa, especialistas e representantes do setor alertam que a presença da gigante do fast fashion pode modificar significativamente o mercado local, afetando empregos, fornecedores e a percepção de sustentabilidade na indústria.
*Com informações da RFI.








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