A indústria brasileira encerrou o terceiro trimestre de 2025 com produção praticamente estagnada, aumento de estoques e redução no número de trabalhadores, segundo a Sondagem Industrial, divulgada nesta segunda-feira (20/10/2025) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A demanda interna mais fraca que a esperada pelos empresários foi apontada como principal causa do desempenho do setor.
O índice de evolução da produção ficou em 50,1 pontos, próximo da linha divisória de 50, indicando estabilidade em relação a agosto. O indicador de emprego registrou 48,9 pontos, sinalizando redução de postos de trabalho, enquanto o nível de estoques avançou para 50,8 pontos, acima do planejado. A utilização da capacidade instalada manteve-se em 70%, dois pontos percentuais abaixo do observado em setembro de 2024.
Situação financeira da indústria
O índice de satisfação com a situação financeira subiu de 48,4 para 48,9 pontos, indicando leve melhora, mas ainda abaixo da linha de 50 pontos. O índice de lucro operacional avançou de 42,8 para 43,6 pontos. O acesso ao crédito continua restrito, com o índice passando de 39,9 para 40,3 pontos, enquanto o índice de preços das matérias-primas caiu 1,8 ponto, para 55,2, mostrando custos ainda elevados, porém em ritmo menor.
Entraves e obstáculos
Entre os principais obstáculos citados pelos empresários, destacam-se: carga tributária (37,8%), demanda interna insuficiente (28,8%), altas taxas de juros (27,3%), escassez ou alto custo de trabalhadores qualificados (22,9%) e competição desleal (19,1%). Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o impacto das taxas de juros elevadas afeta não apenas a demanda por bens mais caros, mas também reduz a renda das famílias, aumentando endividamento e inadimplência.
Expectativas para os próximos meses
O índice de expectativa de exportações cresceu dois pontos, para 48,6, ainda abaixo de 50, indicando projeção de queda menos intensa nas vendas externas. A expectativa de demanda doméstica subiu levemente de 52,3 para 52,5 pontos, mantendo otimismo moderado. A intenção de investimento avançou de 54,4 para 54,8 pontos, revertendo parte das perdas acumuladas desde dezembro de 2024.
A pesquisa entrevistou 1.423 empresas — 592 pequenas, 494 médias e 337 grandes — entre 1º e 10 de outubro de 2025.








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