A Petrobras anunciou, na quinta-feira (09/10/2025), um investimento de R$ 2,6 bilhões para a retomada da indústria naval na Bahia, com a construção de seis embarcações de apoio marítimo offshore. As obras serão realizadas no Estaleiro Enseada, localizado em Maragogipe, no Recôncavo Baiano, a cerca de 130 quilômetros de Salvador. O projeto marca o retorno da estatal à produção naval no estado após quase uma década de inatividade.
Retomada da construção naval e geração de empregos
Detalhes do investimento
O anúncio ocorreu durante cerimônia que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do governador Jerônimo Rodrigues, da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e de ministros de Estado. As seis embarcações do tipo ORSV (Oil Spill Response Vessel) serão construídas pela CMM Offshore Brasil e entregues à Petrobras para operações de controle de vazamentos em alto-mar.
O investimento total é de R$ 2,58 bilhões, com previsão de quatro anos de construção e 12 anos de operação contratual. Segundo a estatal, o projeto deve gerar mais de 5,4 mil empregos diretos e indiretos, além de exigir 40% de conteúdo local nos componentes utilizados.
Estímulo à economia e conteúdo nacional
De acordo com Magda Chambriard, a retomada representa um passo estratégico na política de reindustrialização e fortalecimento da cadeia naval brasileira. “Ficamos oito anos sem uma única demanda da Petrobras para o setor naval. Agora, retomamos um processo que deve movimentar toda a cadeia produtiva nacional”, afirmou a presidente.
A Petrobras informou que já contratou 44 das 48 embarcações previstas para fabricação no Brasil. Conforme o Ministério de Minas e Energia (MME), o plano nacional de renovação da frota naval deve gerar 44 mil empregos e atrair R$ 23 bilhões em investimentos.
Sustentabilidade e inovação tecnológica
Embarcações com propulsão híbrida
As novas embarcações serão equipadas com sistema de propulsão híbrida, que combina motores elétricos, baterias e geradores movidos a diesel e biodiesel, com possibilidade futura de conversão para etanol. A tecnologia deve reduzir em até 25% as emissões de dióxido de carbono (CO₂), principal gás causador do efeito estufa.
Durante o evento, o Ministério de Portos e Aeroportos também anunciou R$ 611,7 milhões em investimentos para a construção de 80 novas embarcações voltadas à expansão das atividades do setor naval e aquaviário nacional. Desse total, R$ 550,5 milhões virão do Fundo da Marinha Mercante (FMM), responsável por financiar a renovação e reparação de frotas marítimas.
Empregos e desenvolvimento regional
Segundo o ministério, os investimentos adicionais devem gerar mais de 2 mil empregos diretos. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou o impacto econômico local: “No Estaleiro Enseada, quase 7 mil empregos diretos estão sendo reativados, 90% deles ocupados por trabalhadores do Recôncavo Baiano”, afirmou.
Expansão para o setor de fertilizantes e novas parcerias
Retomada das fábricas de fertilizantes
A Petrobras confirmou também a retomada das Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen-BA e Fafen-SE), com previsão de início das operações em janeiro de 2026. As unidades, localizadas na Bahia e em Sergipe, receberão R$ 38 milhões em investimentos cada e devem gerar 750 empregos diretos por planta.
As fábricas irão produzir amônia, ureia perolada e ARLA-32, além de operar os Terminais Marítimos de Amônia e Ureia no Porto de Aratu, em Candeias (BA). Com as retomadas, a Petrobras e suas unidades associadas — incluindo a Araucária Nitrogenados (ANSA), no Paraná — deverão suprir 20% da demanda nacional de fertilizantes, podendo atingir 35% com novas plantas em construção no Mato Grosso.
Protocolo para uso do canteiro de São Roque do Paraguaçu
Durante o evento, o Governo da Bahia e a Petrobras assinaram um protocolo de intenções para utilização do canteiro de obras de São Roque do Paraguaçu (BA). O local será destinado ao acostamento e descomissionamento parcial de plataformas de petróleo, com possibilidade de reconstrução no futuro, ampliando a geração de empregos e fortalecendo o polo industrial marítimo baiano.
O protocolo inclui ainda a disponibilização de parte da área para apoio logístico à construção da Ponte Salvador-Itaparica, projeto prioritário para o governo estadual.
*Com informações da Agência Brasil.








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