A Polícia Federal e a Polícia Civil da Bahia abriram inquérito para investigar ataques reiterados contra o povo pataxó na Terra Indígena Comexatibá (Cahy-Pequi), em Prado, no distrito de Cumuruxatiba. Há suspeitas de envolvimento de policiais militares estaduais nos incidentes.
No final da tarde, lideranças pataxó realizavam atividade de vigilância comunitária na Aldeia Kaí, área retomada em agosto, quando foram cercadas por cerca de 50 pessoas armadas com fuzis e espingardas calibre .12, utilizadas em caça e tiro esportivo.
Detalhes dos ataques e feridos
De acordo com relatos da comunidade, os indígenas foram confinados na casa-sede da Fazenda Pero Vaz e foram alvejados por disparos, resultando em ferimentos de raspão na cabeça de um líder e fratura na clavícula de outro. As paredes do alojamento ficaram perfuradas por projéteis.
Em carta pública, os pataxó informam que agressores foram parcialmente identificados, e a ofensiva só foi contida com a chegada da Força Nacional de Segurança Pública, que interceptou um ônibus escolar transportando membros do grupo armado, incluindo adolescentes, supostamente pagos para atuar no ataque.
Outras áreas afetadas e medidas de segurança
Concomitantemente, há outro processo de retomada da TI Barra Velha, em Porto Seguro, distante 200 km de Prado. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) destacou que a regularização fundiária é essencial para conter a violência, com a TI Comexatibá atualmente em fase de delimitação e os processos administrativos seguindo os trâmites previstos junto ao Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
O MPI acionou órgãos de segurança para garantir a proteção das comunidades, incluindo policiamento ostensivo, atividades de inteligência, perícia e investigação, além da criação do Laboratório Etnoterritorial no Sul da Bahia e do Fórum Regional Territórios Ancestrais, com foco em estratégias de mitigação dos danos, coordenação das respostas a denúncias e aproximação com o governo estadual.
Posição da Polícia Militar da Bahia
A PMBA informou que atua integradamente com forças federais, acompanhando os desdobramentos com interesse da Secretaria de Segurança Pública (SSP). Destacou a atuação da Companhia Independente de Mediação de Conflitos Agrários e Urbanos (Cimcau), criada em janeiro de 2024, para mediar ações de segurança em conflitos urbanos e agrários, incluindo situações envolvendo povos originários e comunidades tradicionais.
*Com informações da Agência Brasil.








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