Presidente Emmanuel Macron não cumpre prazo para nomeação de novo primeiro-ministro e intensifica crise política na França

O presidente francês, Emmanuel Macron, não anunciou o novo primeiro-ministro nesta sexta-feira (10/10/2025), descumprindo o prazo previamente estipulado por ele na quarta-feira (08/10/2025). O atraso ocorre em meio à crise política iniciada com a renúncia de Sébastien Lecornu, ministro das Forças Armadas e quinto chefe de governo desde a reeleição de Macron em 2022, devido à falta de maioria parlamentar.

Reuniões com líderes partidários não definiram escolha

Durante a tarde, Macron recebeu líderes de partidos centristas, de direita, socialistas, ecologistas e comunistas no Palácio do Eliseu para discutir o impasse político causado pela ausência de maioria na Assembleia Nacional. Os representantes da França Insubmissa (LFI) e da Reunião Nacional (RN) não foram convidados. Ao final de duas horas e meia de reuniões, o presidente descartou a possibilidade de nomear um primeiro-ministro de esquerda.

Partidos socialistas e ecologistas criticaram a exclusão do processo. Marine Tondelier, do partido Ecologistas e Nova Frente Popular, afirmou que o novo chefe de governo “não será do nosso campo político”. O líder do Partido Socialista, Olivier Faure, destacou que Macron não apresentou respostas sobre poder de compra, aposentadorias ou outros temas centrais.

Possibilidade de moção de censura e impacto econômico

Apesar de especialistas descartarem a dissolução da Assembleia Nacional, Faure alertou sobre a possibilidade de censura a um futuro governo escolhido pelo presidente. “Não buscamos a dissolução, mas também não a tememos”, afirmou. A crise política ocorre em um momento crítico para a economia, já que o orçamento de 2026 deve ser entregue até segunda-feira (14/10/2025).

O bloco comum, formado pelo partido de centro Renascimento, fundado por Macron, e pelos Republicanos de direita (LR), não se pronunciou após o encontro. Desde as eleições antecipadas de 2024, a Assembleia permanece dividida em três blocos, sem interesse em negociar uma aliança que atinja a maioria necessária de 289 deputados, dificultando a formação de um governo estável.

Estratégia do presidente para evitar dissolução

A equipe presidencial confirmou que Macron busca “um caminho possível para construir compromissos e evitar a dissolução” da Assembleia Nacional. O prazo e o perfil do futuro primeiro-ministro ainda não foram divulgados, enquanto a tensão política e social no país se mantém elevada.

*Com informações da RFI.


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